Deputada Carla Zambelli não será indiciada por coação, decide a Polícia Federal
Investigação começou em junho, a pedido de Moraes, e incluiu o depoimento por escrito de Zambelli.
A Polícia Federal decidiu não indiciar a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por coação ou obstrução de Justiça. A investigação, que visava apurar se a parlamentar teria tentado influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou prejudicar o andamento de um processo penal, foi finalizada sem constatação de ações práticas nessa direção.
O relatório da PF, enviado ao ministro Alexandre de Moraes na última semana, justificou a decisão. Nele, é destacado que, embora Zambelli tenha expressado a intenção de interferir no processo, não houve comprovação de que ela tenha realizado atos efetivos para tal.
Segundo o documento, "a intenção de frustrar a aplicação da lei penal foi verbalizada, mas o comportamento de Carla Zambelli não ultrapassou a retórica, sem provas de adoção de medidas que comprometessem o andamento da ação penal".
A investigação começou em junho, a pedido do ministro Moraes, e incluiu a coleta de depoimento por escrito de Zambelli, que se encontrava fora do Brasil. Também foi requisitado que o Banco Central detalhasse as transações financeiras recebidas por ela, incluindo PIX, nos 30 dias anteriores à abertura do inquérito.
A suspeita inicial era de coação no curso do processo e obstrução de investigação penal envolvendo organização criminosa. Zambelli, condenada a 10 anos de prisão pelo STF por invasão aos sistemas do CNJ, anunciou sua saída do país pouco antes de ter sua prisão preventiva decretada.
Moraes destacou que as declarações públicas de Zambelli, além de indicarem tentativa de escapar da aplicação da lei, também buscavam descredibilizar instituições democráticas brasileiras. Atualmente, a deputada encontra-se presa na Itália, aguardando decisão sobre sua extradição. A Câmara dos Deputados analisa a cassação de seu mandato.