Correios buscam R$ 8 bi para ajuste financeiro até 2027
Um dos pontos críticos da reestruturação é o plano de saúde, cuja dívida alcançou R$ 740 milhões.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, destacou que a companhia precisa captar mais R$ 8 bilhões para completar seu plano de reestruturação. Inicialmente, a estratégia previa necessidade de R$ 20 bilhões, tendo sido recentemente firmado um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco instituições financeiras.
Durante coletiva de imprensa, Rondon esclareceu que a nova captação ainda não está em negociação, mas seguirá o mesmo processo do financiamento anterior. Ele afirmou a importância de aumentar a receita operacional de R$ 18 bilhões para R$ 21 bilhões até 2027, para alcançar estabilidade financeira.
Parte da reestruturação inclui um Programa de Demissão Voluntária (PDV), que poderá atingir até 15 mil funcionários entre 2026 e 2027, oferecendo economia anual de R$ 2,1 bilhões a partir de 2028. O projeto também envolve o fechamento de mil agências deficitárias.
O PDV demandará um investimento de R$ 1,1 bilhão, mas promete reduzir os gastos com folha de pagamento em até 18%, economizando R$ 1,4 bilhão anualmente. Rondon ressaltou que o PDV permite ajustes sem aumentar disputas judiciais e ocorre conforme as necessidades da empresa.
Adicionalmente, os Correios esperam gerar R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias a partir da venda de imóveis sem uso operacional. Apesar do prejuízo de R$ 6 bilhões acumulado até setembro e expectativa de resultados desfavoráveis em 2026, a empresa prevê uma recuperação financeira a partir de 2027.
Um dos pontos críticos da reestruturação é o plano de saúde Postal Saúde, cuja dívida alcançou R$ 740 milhões. Rondon enfatizou a necessidade de revisar o plano para economizar entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões anuais a partir de 2027.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, declarou que acompanhará de perto a execução do plano dos Correios. A possibilidade de um aporte do Tesouro está em análise para apoiar a captação dos R$ 8 bilhões restantes.
Rondon ainda mencionou o desafio de cumprir a universalização dos serviços postais, que gera um déficit estrutural de R$ 4 bilhões anuais para a estatal, já que 62% dos custos são destinados à folha de pagamento. Em 2016, a empresa viu uma mudança significativa, com encomendas superando cartas como principal fonte de receita, fenômeno também observado globalmente.