Brasil possui 30 partidos políticos no TSE e 23 aguardam registro

Além do apoio popular, legislação exige que a legenda tenha ao menos 101 fundadores.

O Brasil atualmente possui 30 partidos políticos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), enquanto 23 outros ainda estão em fase de formação. Para que essas novas legendas possam competir nas eleições, elas precisam estar oficialmente constituídas até seis meses antes da data do pleito. Contudo, esse caminho até a participação eleitoral é marcado por um complexo conjunto de exigências legais.

O registro formal é crucial para que um partido possa usufruir de benefícios como recursos do Fundo Partidário e tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão. A legislação brasileira garante a liberdade de criação de partidos políticos, desde que seus programas respeitem a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

Após obter personalidade jurídica segundo a legislação civil, a agremiação em formação deve registrar seu estatuto no TSE, uma etapa indispensável para que a legenda se torne oficialmente parte do sistema eleitoral. Um dos principais desafios para novas siglas é comprovar o apoio popular. O partido precisa demonstrar, em até dois anos, o apoio de eleitores não filiados a outras legendas, equivalente a pelo menos 0,5% dos votos válidos da última eleição geral para a Câmara dos Deputados, excluindo votos brancos e nulos.

Esse apoio deve ser distribuído em, no mínimo, um terço das unidades da Federação, atingindo pelo menos 0,1% do eleitorado votante em cada estado. O período de dois anos para coleta e validação das assinaturas começa a contar a partir da data em que o partido adquire personalidade jurídica.

Além do apoio popular, a legislação exige que a legenda tenha ao menos 101 fundadores, todos com direitos políticos em dia e domicílio eleitoral em, no mínimo, um terço dos estados brasileiros. Esse grupo é responsável pela criação do programa e do estatuto do partido, documentos que, após sua aprovação, devem ser publicados no DOU (Diário Oficial da União). Os fundadores também elegem a direção nacional provisória da legenda, que conduzirá o registro junto aos cartórios civil e ao TSE.

Considerando todas essas exigências, o grande número de partidos em formação não garante que todas as legendas cumprirão os prazos para disputar as eleições de 2026. Na prática, esse processo funciona como um mecanismo para reduzir a fragmentação partidária excessiva e assegurar um mínimo de respaldo da sociedade. A mais recente criação autorizada pelo TSE foi o partido Missão, vinculado ao MBL (Movimento Brasil Livre), registrado no início de novembro do ano passado.