Bolsonaro vai usar tornozeleira e é silenciado nas redes sociais pela Justiça

Jair Bolsonaro foi alvo nesta sexta-feira de operação de busca e apreensão da Polícia Federal
Bolsonaro diz que delação de Mauro Cid é “fantasiosa” e nega tentativa de golpe
Bolsonaro diz que delação de Mauro Cid é “fantasiosa” e nega tentativa de golpe (Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS)

Por João Batista Cruz — Colunista No RADAR

O Supremo Tribunal Federal impôs silêncio a Jair Bolsonaro . Mas, ironicamente, o ruído político só aumentou. A tornozeleira eletrônica e o bloqueio das redes sociais têm impacto imediato sobre o ex-presidente, mas reverberam de forma muito mais ampla — especialmente sobre os campos da oposição e da situação .

Na oposição , o golpe é duplo. Bolsonaro perde a principal ferramenta de comunicação com sua base — as redes —, mas continua sendo seu maior ativo simbólico . Líderes que vinham tentando se descolar da figura central do ex-presidente agora enfrentam uma escolha difícil: defender sua liberdade de expressão ou manter a distância estratégica?

A situação , por outro lado, ganha terreno institucional, mas precisa lidar com um novo tipo de risco. A narrativa de “perseguição” alimenta a militância bolsonarista e poderá fortalecer discursos de ruptura, sobretudo se a base do ex-presidente entender que há exagero ou arbitrariedade no processo. O timing da decisão , com Trump em cena, não passa despercebido.

Além disso, o movimento ocorre no momento em que alianças para 2026 começam a se delinear. A retirada forçada de Bolsonaro do debate digital pode provocar uma reorganização no espectro conservador — abrindo espaço para nomes como Tarcísio de Freitas e até para o surgimento de uma nova “linha dura”, mais radical e menos institucional .

No Planalto , o silêncio do ex-presidente é comemorado com cautela. Mas o eco do bolsonarismo continua vivo. Talvez mais difuso , talvez menos previsível — e justamente por isso, mais perigoso . Calar a voz não significa matar a ideia . E o Brasil, mais uma vez, entra num ciclo em que as instituições reagem, mas a política se reinventa nos porões.