Batalha do Jenipapo: embate completa 200 anos nesta segunda-feira (13)

Batalha é considerada o único conflito armado do país pela Independência.

A Batalha do Jenipapo, historicamente reconhecida por ser o único conflito armado na busca pela Independência do Brasil, foi iniciada no dia 13 de março de 1923, e reuniu cerca de 3,6 mil combatentes às margens do rio de mesmo nome, no município de Campo Maior, que ainda não existia no período. O embate completa 200 anos nesta segunda-feira (13).

Foto: Conheça o Piauí
Batalha do Jenipapo: único conflito armado pela independência do Brasil completa 200 anos.

A batalha violenta começou a ser idealizada no dia 8 de agosto de 1822, um mês antes do Grito do Ipiranga. Na data, chegava a Oeiras, capital da província até então, o major português João José Da Cunha Fidié, que havia sido nomeado ao cargo de governador das armas por D. João 6º. Historiadores apontam que ele veio ao sertão piauiense com o intuito de impedir a emancipação do Brasil.

Após ocupações por parte do exército independentista, comandado pelo capitão Luís Rodrigues Chaves, Fidié tomou uma postura mais dura e retomou o poder em Oeiras, intensificando a tensão entre os dois lados.

Apesar da junção entre os estados, apenas 500 homens faziam parte da tropa a favor da independência. Com a solicitação de voluntários, cerca de 1,5 mil civis se apresentaram. Sem experiência militar, muitos eram vaqueiros, roceiros, escravizados, libertos e indígenas, armados somente com machados, foices, facões e enxadas.

Do lado português, cerca de 1,6 mil soldados profissionais, com treinamento adequado para grandes batalhas foram solicitados, trazendo ainda 11 canhões potentes que poderiam valer por mais de dois combatentes.

No dia 13 de março, a batalha foi iniciada com as tropas portuguesas chegando ao rio, sendo atacadas brasileiros. O massacre teve seu começo em uma tentativa desesperada de Chaves, que tentou conter a invasão dos soldados de Fidié. O comandante, sem alternativas, exigiu que os soldados da independência atacassem os portugueses por todos os lados, como uma forma de batalha suicida.

Os soldados brasileiros, pouco preparados, foram atingidos pelos rápidos disparos portugueses. Os sobreviventes aproveitaram o cansaço das tropas portuguesas e fugiram com seus mantimentos. Nesse momento, Fidié desistiu de atacar os adeptos à independência, e partiu para descansar em uma fazenda da cidade.

Em junho de 1823, as tropas do major português se renderam, e ele foi conduzido ao Rio de Janeiro, onde em seguida foi deportado para Portugal.

Embate, que foi crucial para o processo de emancipação do Brasil, é lembrado até hoje como um gesto de coragem, onde o bem da maioria se sobrepôs ao medo de perder a vida. Em 1974 foi criado um monumento na cidade de Campo Maior para homenagear as pessoas que se sacrificaram na Batalha do Jenipapo.