A mente do criminoso: Psicologia por trás do feminicídio em Paquetá PI

O Caso Paquetá reforça a necessidade urgente de políticas efetivas de proteção às mulheres
Mãe e filhos são encontrados mortos em Paquetá; polícia apura o caso
Mãe e filhos são encontrados mortos em Paquetá; polícia apura o caso (Foto: Divulgação)

O terror tomou conta da pacata cidade de Paquetá, no interior do Piauí, com o brutal assassinato de Jairane Moura da Silva, grávida, e de seus dois filhos menores de idade. Os três foram degolados dentro da própria casa, num crime de extrema violência que expõe a face mais cruel do feminicídio no Brasil.

O principal suspeito é seu próprio companheiro, que está foragido. Vizinhos relatam que o relacionamento do casal era conflituoso e marcado por brigas constantes. O crime, que aconteceu na manhã do último domingo (02), está sendo investigado pela Polícia Civil, que não descarta a hipótese de assassinato premeditado e execução motivada por ciúmes ou rejeição da paternidade.

Execução cruel dentro de casa

A cena do crime foi descrita como chocante até para policiais experientes. Jairane foi encontrada ensanguentada, com um profundo corte no pescoço, deitada em uma rede dentro de casa. Seus dois filhos pequenos, igualmente degolados, estavam no mesmo ambiente. O suspeito fugiu sem deixar rastros, e equipes da Polícia Militar seguem em diligências para capturá-lo.

O padrão macabro do feminicídio

O Caso Paquetá não é um episódio isolado. Ele segue um padrão aterrorizante de assassinatos brutais cometidos contra mulheres grávidas e seus filhos. No Brasil e no mundo, crimes como esse se repetem, quase sempre com os próprios companheiros como algozes.

Um dos casos mais emblemáticos foi o de Shanann Watts, nos Estados Unidos. Em 2018, ela, grávida, e suas duas filhas pequenas foram assassinadas pelo marido, Christopher Watts, que queria recomeçar a vida com outra mulher. No Brasil, Letycia Peixoto, grávida de oito meses, foi morta a tiros pelo companheiro em Campos dos Goytacazes (RJ). Casos como esse demonstram que, para muitos agressores, a mulher e seus filhos são vistos como "propriedades descartáveis", eliminados quando já não servem aos interesses do assassino.

O lado obscuro da mente dos assassinos

Especialistas em criminologia explicam que esses crimes seguem um padrão psicológico assustador. O agressor geralmente já apresenta histórico de violência e controle, e, ao perceber que a mulher pode romper o relacionamento ou que a gravidez trará mudanças que ele não deseja, parte para o ato extremo.

"A gravidez pode ser um gatilho para o feminicídio, pois representa um novo vínculo e, muitas vezes, uma responsabilidade que o agressor não quer assumir", explica o psicólogo Daniel Barros . "Quando ele percebe que está perdendo o controle sobre a vítima, pode recorrer à violência extrema para reafirmar seu poder."

Além disso, o assassinato dos filhos muitas vezes não é apenas um dano colateral, mas uma forma de punição. "Muitos desses criminosos veem as crianças como uma extensão da mulher, e matá-las é uma forma de atingi-la ainda mais profundamente", completa o especialista.

Um grito de alerta: Até quando?

O Caso Paquetá reforça a necessidade urgente de políticas efetivas de proteção às mulheres. Muitas vítimas de feminicídio já enfrentavam um ciclo de violência, mas não conseguiram romper por medo, dependência financeira ou falta de apoio da sociedade e das autoridades.

Quantas mulheres ainda precisarão morrer de forma brutal até que o feminicídio seja tratado com a seriedade que merece? Jairane e seus filhos foram executados de forma cruel, e não podem se tornar apenas mais um número nas estatísticas. A sociedade precisa reagir, e as autoridades devem agir com rigor para evitar que novas tragédias como essa se repitam.