Adotar um pet na infância: laços que transformam vidas
Especialista fala sobre benefícios que as crianças tem ao crescer com um pet.

A convivência entre crianças e animais de estimação pode ser extremamente positiva, criando vínculos afetivos duradouros e proporcionando momentos únicos em família. Crescer ao lado de um cão ou gato, acompanhando seu desenvolvimento desde filhote, é uma experiência rica em aprendizado, afeto e companheirismo.
De acordo com o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, Dr. André Ceballos, a decisão de adotar um pet deve ser feita com atenção e responsabilidade. No entanto, ele ressalta que a infância passa rápido e que existe um tipo de animal ideal para cada realidade familiar. “Ter um pet pode trazer inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil. Cada criança, com suas particularidades, pode se beneficiar dessa relação, que deixa memórias afetivas para toda a vida”, afirma o médico.
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Quais animais são mais adequados para crianças?
Segundo o especialista, os animais mais indicados são aqueles com comportamento dócil, previsível e que possam interagir com segurança com os pequenos.
"Cães de raças conhecidas pela sociabilidade, como golden retriever, labrador e border colie, são ótimas opções. Gatos afetuosos também podem ser bons companheiros, especialmente para crianças mais tranquilas. Para crianças menores, pequenos roedores, como porquinhos da índia, coelhos, e até mesmo peixes podem ser uma introdução ao cuidado e responsabilidade. O mais importante é considerar o perfil da família e o temperamento do animal."
Idade ideal para ter um pet
"O ideal é que o animal chegue à família quando a criança já tiver ao menos 3 anos, fase em que começa a desenvolver empatia e compreensão básica sobre o outro, incluindo o animal. No entanto, é fundamental reforçar que a responsabilidade primária pelos cuidados será sempre dos adultos. À medida que a criança cresce, ela pode ir assumindo pequenas tarefas, como colocar água ou escovar o pet, o que estimula autonomia e senso de responsabilidade."
Benefícios emocionais e sociais
Ceballos lista diversas vantagens no convívio entre criança e animal de estimação:
- Redução do estresse e ansiedade: A interação com pets estimula a liberação de oxitocina, o chamado “hormônio do amor”, promovendo relaxamento e sensação de segurança.
- Fortalecimento da autoestima: Ao cuidar de um pet, a criança passa a confiar mais em si mesma e desenvolve um senso de competência.
- Melhora na comunicação: Crianças com dificuldades de expressão ou timidez podem encontrar nos animais um canal seguro para se comunicar e desenvolver habilidades emocionais e verbais.
- Estímulo à atividade física: Passeios e brincadeiras com o pet incentivam a movimentação e ajudam a combater o sedentarismo infantil.
Além disso, o vínculo com um animal pode ser especialmente valioso para crianças com autismo, ansiedade ou dificuldades de socialização. “Nesses casos, o pet pode funcionar como uma ponte entre a criança e o mundo, favorecendo conexões emocionais e sociais significativas”, explica o neurocirurgião.
Cuidados e limites
Apesar dos muitos benefícios, o relacionamento entre crianças e animais exige atenção.
"O vínculo com um animal pode ser profundamente benéfico para o desenvolvimento infantil. Ele estimula o afeto, a empatia, a responsabilidade e a autorregulação emocional. Para crianças com autismo, ansiedade ou dificuldades de socialização, por exemplo, os animais podem ser pontes de conexão com o mundo. Por outro lado, o relacionamento pode ser negativo se houver negligência dos pais no acompanhamento ou se o animal não for adequado ao perfil da criança. Animais agressivos, imprevisíveis ou de difícil manejo podem representar risco físico ou emocional. Também é preciso evitar que a criança crie expectativas irreais sobre o pet, como se ele fosse um brinquedo ou estivesse ali apenas para satisfazê-la."
Luto e despedida
Um aspecto muitas vezes ignorado, mas profundamente importante, é o impacto da morte do animal na vida da criança.
"A perda de um animal é muitas vezes a primeira experiência de luto real de uma criança. É essencial que os adultos não minimizem a dor, frases como "era só um cachorro" devem ser evitadas. O melhor caminho é acolher os sentimentos, explicar a morte de forma honesta e respeitosa (adequada à idade), e permitir que a criança expresse o que sente. Rituais de despedida, como um desenho, uma carta ou até um pequeno "funeral", podem ajudar a criança a simbolizar a perda e encontrar um sentido para aquele vínculo. O mais importante é garantir que ela se sinta segura para viver o luto sem pressa, com amor e amparo."
Sobre o especialista
Dr. André Ceballos é neurocirurgião e atua como diretor técnico do Hospital São Francisco, referência nacional no atendimento a crianças com transtornos do desenvolvimento. Além de sua atuação clínica e hospitalar, o médico lidera projetos de conscientização sobre os marcos do desenvolvimento infantil, defendendo políticas públicas voltadas à saúde e bem-estar das crianças, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
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