Ações de conscientização destacam combate ao trabalho escravo
Entre 2020 e 2025, o Piauí testemunhou o resgate de 481 trabalhadores de condições de escravidão.

Entre 2020 e 2025, o Piauí testemunhou o resgate de 481 trabalhadores de condições análogas à escravidão, conforme dados do Ministério Público do Trabalho (MPT). Em destaque, nesta quarta-feira (28), Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, acontece uma ação de mobilização e conscientização em Teresina. As informações são do g1.
O procurador do trabalho, Edno Moura, coordenador regional do Combate ao Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho no Piauí, afirmou: “Mesmo após mais de um século da abolição formal da escravidão no Brasil, milhares de trabalhadores ainda são submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas, servidão por dívida e outras violações graves de direitos."
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A ação busca informar a população sobre o que caracteriza o trabalho escravo contemporâneo e como denunciá-lo. A Comissão Estadual de Combate ao Trabalho Escravo (Coetrae) promove uma panfletagem na Praça Rio Branco, localizada no centro da capital, a partir das 9h.
“Muitas vezes, ele acontece de forma invisível, mas com consequências devastadoras para as vítimas. É essencial que não só os trabalhadores, mas toda a sociedade esteja informada, atenta e denuncie sempre que suspeitar de situações de exploração”, destacou Moura.
Em 2025, 28 pessoas foram resgatadas em situação análoga à escravidão no estado do Piauí, com um aumento significativo em relação a 2024. O estado é conhecido por ser um exportador de mão de obra, o que contribui para a vulnerabilidade dos trabalhadores.
Um dos casos de 2025 envolveu 23 trabalhadores resgatados enquanto realizavam a catação de raízes em uma fazenda de soja, em Palmeira do Piauí. Segundo Edno Moura, a busca por oportunidades em outros estados, devido ao desemprego, expõe muitos piauienses a condições de trabalho degradantes.
Comparativo de resgates de trabalhadores no Piauí
- 2020 – 44 trabalhadores
- 2021 – 56 trabalhadores
- 2022 – 180 trabalhadores
- 2023 – 159 trabalhadores
- 2024 – 14 trabalhadores
- 2025 – 28 trabalhadores
Moura ainda ressaltou que, em muitos casos, os próprios trabalhadores não têm consciência de que estão sendo vítimas de trabalho escravo. “Para muitos, o trabalho escravo é só se estiver impedindo de sair do ambiente de trabalho. Mas o que vemos, na maioria dos casos, é situação degradante de trabalho, com alojamentos em condições insalubres, remunerações baixas e os direitos trabalhistas violados”, completou.
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