2 de abril: Dia Mundial de Conscientização do Autismo
Conheça a realidade de duas famílias que convivem com o autismo diariamente!
No dia 2 de abril, o mundo se une para celebrar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 com o objetivo de aumentar a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e promover a inclusão social.
O autismo é uma condição neurológica que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Ele se manifesta de diferentes formas e graus, tornando cada pessoa autista única em suas habilidades e desafios. A conscientização é essencial para combater o preconceito e garantir que todas as pessoas com TEA tenham acesso a direitos fundamentais, como educação, saúde e oportunidades de trabalho.
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Características do Autismo
As pessoas autistas podem apresentar uma ampla variedade de características, incluindo:
- Dificuldade na comunicação verbal e não verbal;
- Sensibilidade sensorial aumentada ou reduzida;
- Padrões repetitivos de comportamento, interesses restritos ou fixos;
- Dificuldade na interação social e na compreensão de regras sociais;
- Habilidades cognitivas variadas, podendo ter inteligência dentro da média, acima ou abaixo dela.
Graus do Autismo
O TEA é classificado em níveis, conforme a necessidade de suporte da pessoa autista:
Nível Leve: Pessoas que necessitam de pouco suporte para interações sociais e habilidades do dia a dia. Podem levar uma vida relativamente independente com pequenas adaptações.
Nível Moderado: Indivíduos que necessitam de um suporte mais frequente para comunicação e interação social. Apresentam dificuldades significativas que podem impactar a rotina.
Nível Severo: Pessoas que necessitam de suporte substancial, pois apresentam dificuldades graves na comunicação, comportamento e interação social. Podem ter dependência de cuidadores em atividades diárias.
Realidade das famílias
Apesar do assunto ter ganho destaque nos últimos anos, as famílias de portadores do autismo ainda enfrentam muitos obstáculos.
Francimário da Silva Feitosa, de 42 anos, conhece bem essa realidade. Pai do pequeno Nicolas Trindade Feitosa, de cinco anos, ele destaca que a comunicação é a maior barreira encontrada. Morador de São Raimundo Nonato (PI), seu filho possui nível de suporte intermediário, o que exige da família uma atenção maior.
“Se a gente considerar que um dos principais prejuízos de uma pessoa com a condição de autista é a comunicação inexistente ou ineficiente com outras pessoas, o que os profissionais chamam de dificuldade de socialização, em meu ponto de vista o principal desafio é o acesso comunicativo com um autista. No caso de meu filho, que é considerado autista com nível intermediário de suporte, foi bastante difícil no início das terapias, porque ele obviamente não conhecia as profissionais e portanto não sentia segurança para estar sozinho numa sala. Atualmente, ele tem sido bem mais flexível na socialização devido o contato com os coleguinhas de escola e, acredito também, em função de medicamentos que também toma. Devido à convivência consigo me comunicar bem com ele, embora ele não seja uma pessoa não verbal. No entanto, ele ainda tem dificuldade de se comunicar e expressar vontades e sentimentos por isso considero como maior desafio encarado nessa relação.”
Como todos que possuem um autista na família, Francimário precisou se adaptar ao pequeno Nicolas. Quando está com o filho, ele se dedica totalmente aos cuidados do garoto, inclusive adaptando seus horários de trabalho para levá-lo para as terapias e também manter a rotina fixa do filho, que deve ser seguida a risca para manter o bem estar familiar.
Com o passar dos anos, o autismo, anteriormente totalmente incompreendido pela sociedade e até por profissionais de saúde, está quebrando tabus e sendo mais conhecido pela sociedade.
“Sem dúvida hoje temos mais conhecimentos para entender as origens e condições de autistas. Percebo que houve melhorias significativas na rede de atendimento e no próprio entendimento das pessoas consideradas típicas em relação aos neurodivergentes. Acredito que a sociedade demanda essas melhorias a partir do momento que entendemos melhor as origens e é algo natural que as relações entre pessoas típicas e atípicas também melhorem. Acho que sensibilidade é a chave para essa melhoria e é claro que algumas pessoas ainda não estão dispostas a entender que somos diversos e cada uma merece o devido respeito. Entretanto, é inegável que houve um aumento considerável de pessoas que são mais sensíveis e altruístas em relação à pessoas que se enquadram no espetro autista.”

Outra família que encara diariamente os desafios é a família de Michele da Silva Garcia, de 39 anos. Ela é mãe de Gustavo Henrique, de 6 anos, diagnosticado com nível de suporte leve. Moradora de Três Lagoas (MS), ela destaca que a maior dificuldade encontrada é a falta de inclusão que os autistas encontram no dia a dia.
“O principal desafio que encontramos é a inclusão, tanto na escola quanto nos demais locais. Na escola, vejo os profissionais poucos preparados para dar a devida atenção e suporte que a criança autista precisa para que ela consiga evoluir e acompanhar as demais crianças. Já tivemos que trocar o Gustavo por três vezes de escola, e por diversas vezes ele foi chamado de mal educado e foi tratado de forma inadequada por ser uma criança com certa rigidez. Isso fez com que ele criasse aversão a escola, fato que só melhorou quando conseguimos o acompanhamento de um terapeuta da clínica ABA para dar suporte na escola. Vejo também que nos demais locais as pessoas também não conhecem ou não compreendem o autismo. Já tivemos casos em que ele teve crises em locais públicos e as pessoas comentavam como se fossem birra, ou que ele era uma criança mimada, e isso fez com que eu e meu marido evitemos sair para locais públicos.”

Além dos desafios enfrentados pelos próprios portadores do Transtorno do Espectro Autista, as famílias ainda encaram desafios e precisam alterar significativamente suas vidas para proporcionar o melhor para o autista. No caso de Michele, a vida profissional precisou ser deixada de lado.
“Tive que me abdicar do trabalho para poder cuidar do Gustavo. Foi uma decisão muito difícil, sempre trabalhei e fui independente, mas vejo que foi necessário, pois o meu filho está em primeiro lugar.”
Apesar das campanhas realizadas pelo poder público e outras instituições, o trabalho ainda deixa a desejar. Para Michele, ainda há muito a ser feito para que a inclusão aconteça de fato.
“Sinceramente, não vejo campanhas relacionadas ao tema, acredito que ainda sejam bem poucas. Mas, o principal, além da conscientização, é que escolas estabeleçam políticas de treinamentos para seus profissionais, para que os professores e auxiliares possam estar preparados para receberem crianças atípicas e assim estarem aptos para ensinarem e desenvolverem nossos filhos e filhas. Hoje muito se fala sobre inclusão, mais pouco é feito de fato, e só quem é pai e mãe de crianças atípicas sabem.”

A participação da sociedade é essencial para criar um ambiente mais acolhedor e acessível para as pessoas autistas e suas famílias.
A inclusão vai além da conscientização: trata-se de garantir que todas as pessoas, independentemente de suas diferenças, tenham espaço e voz na sociedade. O respeito e a empatia são fundamentais para construirmos um mundo mais justo e igualitário para todos.
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