Arquivo Pessoal

José Paraguassú

Escritor, músico, compositor, poeta, letrista e agente cultural. Membro da ALBEARTES - Academia de Letras e Belas Artes de Floriano e Vale do Parnaíba, ALB - Academia de Letras do Brasil/PI, ABRAMUS Associação Brasileira de Música e Artes, SOPIPO - Sociedade Piauiense de Escritores e da UBE-União Brasileira de Escritores/PI.

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Um mundo em versos

Pág. 12 | Revista Piauí Poético | ANO III - Nº 30 | Abril de 2025
Um mundo em versos
Um mundo em versos (Foto: Arte Laciere Elias)

      

         

                                                             Sobre os versos de um mundo

O livro faz jus ao título. Cantando sua aldeia sertaneja o poeta ga­nha o mundo e tudo que nele há, imor­talizando seu sertão encantado em um mundo sem fim de versos. Mais uma vez constatamos que quem canta seu torrão canta a universalidade. Assim, o poeta dá vida a um eu-lírico repleto do que há no ser humano, desde as mais profundas raí­zes até o olho da flor que, espichando­-se, busca o alimento so­lar. Assente-se ao coche e ve­nha percorrer os versos que cantarão os corações apai­xonados, seus amores, dores e prazeres da cultura romântica, neurótica, que apesar de todos os pesares sublima e verseja, o contrário também é válido. Em certos momentos o eu-lírico rompe a estrutura neurótica e atinge patama­res de iluminação existencial, embora sua condição de ser no mundo – ho­mem em seu contexto – o faça estar sempre envolvido nas idas e vindas dos circuitos que o constroem enquanto ser no mundo. É neste contexto que o cocheiro da poesia vos guiará por di­versas temáticas, das características supracitadas às questões sobre prote­ção ambiental, posicionamentos filosó­ficos, espiritualidade e fé. Não poderia faltar o bucolismo da vida sertaneja e a eterna pulga atrás da orelha sobre a situação política e social. Viu só, acha pouco? Quando digo que o livro faz jus ao título é porque, como constatará na leitura, o poeta põe em versos o mundo e a humanidade, poetando seu versejar de homem do sertão em genuíno criar, poesia matuta que dá gosto de ver. Veja, passageiro da poesia, viandante da leitura, o poeta mostra que a vida é uma construção e que em sua escola há todo tipo de lição, desde a aprender com o silêncio a caminhar e cantar pe­los círculos da vida. A cultura popular dá a base, a fé do poeta a sustentação – para a imortalidade, nem que seja na palavra – os imortais das letras – trans­formando pedras em poesia.

                                  Daltro Paiva

    Escritor, poeta, crítico literário e produtor cultural.

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