Orgulho de um Cabra do Sertão

Seu cabra
Que nasceu no mato,
Anda de pés descalços,
Rachados de tanto correr
Atrás de bode nos morros
Pra onça não comer.
Acorda de madrugada,
Vai encurralar a vacada
Antes do sol nascer;
Tira o leite e reparte
Com seus barrigudinhos,
Todos esperando um pouquinho
Pra ali mesmo beber.
Depois corre pra roça,
Planta, ajeita a carroça
Pra ir à feira vender:
Galinha, porco e cabrito,
E aquele galo bonito
Que canta ao amanhecer.
Quando vende o que leva,
Ele se ajoelha e reza
Pra agradecer,
Por ter sua bela família
E da terra, que humilde, cultiva,
Tirar o que tem pra viver.
Não tem luxo nem riqueza,
Mas carrega a certeza
De que a felicidade é ter na mesa,
Todo dia, o que comer;
Sem dever nada a ninguém,
E mesmo o pouco que tem,
Lhe enche de orgulho e prazer.
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