OBSCURANTISMO

OBSCURANTISMO.
JOSÉ OSÓRIO FILHO.
Nas cidades, as vozes dançam no vento do além. O silêncio que há dentro do íntimo de uma população sopra no espaço vazio. Um grito surge na infinitude das nuvens do céu uma face oculta é coberta com um véu.
No grito silencioso, existe uma folha de papel; uma mão invisível de um lado obscuro diz que se aproxima do céu. Os olhos do povo não veem aquele momento; uma luz suprime o dia em noite, e a noite se restringe a uma sombra sem luz, tão transparente quanto à mente que nada reproduz.
Uma voz ecoa como um canto sutil, em um sorriso lembro-me de quando era criança, só hoje vejo que a vida passou e nada mudou, o povo é tão indolente que troca a noite pelo dia, não enxergam as mazelas sociais, vivem como alienados, sem saber o significado da existência e da incoerência do sistema político e social, por essa razão vegetam como um animal irracional.
Ao analisar a democracia que não existe, vejo-a como uma ficção, que o povo nunca alcançará o poder. A demagogia excessiva alimenta a mente vazia da população, como se a vida fosse uma utopia. Só agora vejo que melhor seria se não soubesse pensar, não tivesse adquirido conhecimento para meditar; dessa forma sofreria menos, e não vivia a sofrer e chorar, não teria nenhum entendimento e aceitaria tudo sem reclamar.
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