Obra de Arte

Voltei!
Às cinzas do que fui um dia,
Coloquei uma água fria
E fiz uma massa de modelar.
Comecei a construir uma imagem —
Apenas uma personagem
Da minha imaginação:
Sem vida, sem cor, sem pulsação.
Uma imagem morta e fria,
Era apenas uma imagem
Querendo transformação,
Querendo vida ganhar.
E logo fui percebendo
Que a imagem foi crescendo,
E sua beleza aparecendo
Sem nenhuma explicação.
Uma cinza que nada valia,
E agora ela queria
Chamar atenção.
Cada toque que eu dava,
Ela ia se transformando
E chamando atenção.
Aí eu perdi o controle —
Já era ela quem me dizia
Como era que ela queria
A sua representação:
Que tivesse personalidade
E poder de criação.
Eu me entreguei àquela obra
Com toda dedicação,
Até que, um belo dia,
Dei por terminada
A minha criação.
E levei um grande susto,
Porque naquele busto
Estava a minha representação.
Ali eu estava vendo
A minha própria imagem
Transformada em uma obra de arte,
Sem nenhuma pretensão.
E pude perceber que a arte que nós criamos
Pode mudar nossos planos,
Nosso modo de viver
E deixar a sua história registrada
Por várias gerações.
É a arte que nós criamos
Que dá vida à nossa imaginação.
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