O Sertão é Mesmo Assim

Caboclo, tu não sabes
Que eu gosto de poesia.
Faço versos com a seca,
Com a fome que ela cria.
Fico triste só de ver
Os animais sofrerem,
Sem ter o que comer
Nem de noite, nem de dia.
A água está escassa,
Os retirantes vão passando,
À procura de refrigério
Para não morrerem de fome.
A fé me alimenta,
Me dá força e esperança.
Que Deus tenha piedade
Dos velhos e das crianças.
O sertão é mesmo assim,
Nos ensina a ser forte,
A comer macambira
Para escapar da morte.
Mas um dia a chuva vem,
Vai brotar o verde do chão,
Acabar com o sofrimento
No meu amado sertão.
Vai ter fartura na mesa,
Carne estendida no galpão,
Forró animado no terreiro:
É a alegria voltando ao sertão.
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