Arquivo Pessoal

Luana Pimentel

Luana Pimentel, modelo (DRT 0019151/RS) de Floriano (PI) radicada em Brasília (DF), compartilha sua paixão pela moda como forma de expressão, movimento e identidade.

👁️ 2.985 visualizações totais | 📝 8 postagens publicadas

O retorno do Rio Fashion Week em 2026 não é nostalgia

é posicionamento
Foto: pinterestRio de Janeiro
Rio de Janeiro

O anúncio do retorno do Rio Fashion Week em 2026 não deveria ser tratado apenas como uma boa notícia para o calendário da moda. Ele precisa ser lido como um sinal. Um recado claro de que a moda brasileira está tentando, mais uma vez, se reorganizar, se descentralizar e rever suas prioridades.

Durante anos, o Rio ocupou um lugar essencial na construção da identidade da moda nacional. Não apenas como cenário, mas como linguagem. O Rio sempre apresentou uma moda mais conectada ao corpo, ao clima, à rua, à cultura e ao comportamento. Quando o evento saiu de cena, não foi só um fashion week que acabou  foi um modo de pensar moda que perdeu espaço institucional.

A centralização quase absoluta em São Paulo criou um desequilíbrio. Não porque o SPFW não seja relevante ele é, e muito , mas porque a moda brasileira não cabe em um único eixo, nem em uma única estética, nem em uma lógica exclusivamente industrial. Moda também é território, vivência e identidade cultural.

O retorno do Rio Fashion Week em 2026 acontece em um momento simbólico. Vivemos uma fase em que a moda brasileira fala cada vez mais sobre ancestralidade, diversidade, pertencimento e narrativas locais. E isso exige mais espaços, mais palcos e mais vozes. Um único evento não dá conta de representar a complexidade criativa do país.

Mas é importante dizer: o Rio Fashion Week não pode voltar como peça de museu. Não basta repetir fórmulas do passado ou apostar apenas no imaginário solar e turístico da cidade. Se esse retorno quiser ser relevante, ele precisa ser crítico, contemporâneo e conectado com o agora. Precisa abrir espaço para novos criadores, corpos diversos, discursos incômodos e propostas que realmente dialoguem com o Brasil real.

Existe também um impacto econômico e simbólico importante. Um fashion week movimenta a cidade, ativa a cadeia criativa, gera oportunidades e coloca profissionais em circulação. Mas, mais do que isso, ele cria narrativa. E narrativa, na moda, é poder.

A coexistência de Rio Fashion Week e São Paulo Fashion Week pode ser extremamente positiva  se for pensada como complemento, e não como competição. Dois eventos, duas cidades, duas energias diferentes, refletindo um país que é múltiplo por natureza.

No fundo, a pergunta que fica não é “o Rio Fashion Week vai voltar?”.
A pergunta real é: qual moda brasileira queremos construir a partir de agora?

Se o retorno do Rio Fashion Week em 2026 servir para ampliar o olhar, descentralizar o poder e reforçar a moda como expressão cultural viva, então ele não será apenas um evento. Será um posicionamento.

E observar esse movimento é entender que a moda não nasce apenas na passarela. Ela nasce nas cidades, nas pessoas, nos conflitos e nas escolhas.

Confira outros artigos do blog Luana Pimentel

Os blogueiros são responsáveis pelos seus próprios textos, a linha partidária e linguística do autor não condiz necessariamente com a do portal ROTA343. Cada colunista tem liberdade para escrever, respeitando os direitos, deveres e regras de cordialidade exigidas pela empresa.

Divulgue seu negócio e venha fazer sucesso junto com o ROTA343. Clique aqui e entre em contato conosco!

Gostou? Compartilhe!