O Pau de Bosta

O Pau de Bosta
Na rua de chão batido,
Se armava uma confusão,
Os adultos se divertiam
Com briga de molecão.
— Viche Maria, xingou a mãe?!
Era o mote da pilha então.
Os meninos se fingiam
De valentes brigadores,
Só pra ver os mais velhos
Rindo feito espectadores.
Mas cansaram da novela,
Armaram seus seguidores.
Pegaram logo um cacete,
De pau seco e bem comprido,
Melaram todinho dele
Com um perfume fedido:
Era bosta de cachorro,
Ingrediente atrevido!
No outro dia, a farra:
Teatro de valentia.
— Pois eu disse tua mãe! —
Gritou um com ousadia.
Os adultos se animaram:
— Agora a porrada vinha!
Um menino ergueu o pau,
Com a cara de brigão.
O outro gritou bem alto:
— Solta o pau, meu irmão!
E estendeu o braço firme,
Com malícia e precisão.
— Segura aqui! — disse rindo,
Na voz cheia de maldade.
Dez, quinze mãos se esticaram,
Segurando de verdade.
E o pau melado pegou
Toda aquela sociedade!
Foi um grito só de nojo,
Corre-corre e careta.
Largaram o pau na hora,
Cada um limpando a treta.
E os meninos, em gargalhas,
Fizeram festa completa.
Daquele dia em diante
Ninguém mais botou pilinha,
Aprenderam que menino
Não se pega na armadilha.
Pois às vezes a traquinagem
Tem vingança pequenina.
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