No terreiro da fazenda

Em um terreiro bem varrido,
Juntamos uns amigos
E agarramos a prosear.
Relembramos de tudo,
Do nosso tempo de infância,
Das brincadeiras de criança
Que gostávamos de brincar.
Uns faziam alçapão, arapuca e baladeira,
Tudo pra passarinhar.
Outros, mais prendados,
Faziam cavalo de talo, carro de boi e curral.
Os bois eram de osso,
Tinha vacas e bezerros,
Os cachorros campeiros
Pra ajudar a vaquejar.
A prosa estava animada —
Trouxeram requeijão, coalhada e buchada,
E uma pinga pra animar.
Aí a prosa mudou de rumo,
Todo mundo se soltou.
Até os que já eram avô
Começaram a se revelar:
Apareceu aboiador, repentista e cantador,
E eu comecei a declamar.
Desembuchei tanto poema
Que fiquei até com pena
De quem estava a me escutar.
Mas pareciam estar gostando,
E a brincadeira animando...
E quando a lua foi clareando,
Peguei logo o violão,
Cantei uns xotes do sertão.
Quando ouvimos
O galo cantando,
O dia já vinha clareando...
E marcamos, pro próximo ano,
Outro encontro,
Dos amigos da região.
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