Na garupa do Alazão

Ainda de madrugada, no silêncio derradeiro,
Eu e meu herói saíamos sorrateiros.
Na garupa do cavalo e agarrado no meu pai,
Eu seguia em sonho acordado
num tempo que ficou pra traz.
Os cachorros latiam, e os galos já cantavam,
na minha pequena Canavieira, muitas almas despertavam.
O caminho era longo, capoeira e baixão,
Eu sorria forte e livre no compasso do estradão
Chegando no rio barrento, corrente forte a passar,
sem descer do garanhão, decidimos atravessar.
E do outro lado o mundo parecia se acender,
o dia clareando, o sertão querendo viver.
Os passarinhos faziam festa, trinados no ar,
como quem abre caminho para o sol anunciar.
E entre campos distantes, esperança e alegria,
a jornada se alongava, bordada de Abdias.
Na fazenda de destino, mesa posta e acolhida:
café quente, cuscuz de milho e coalhada escorrida.
Era o fim da cavalgada, mas começo da história,
que o menino guardou no peito, em sua mais doce memória.
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