Meu lugar

Já fui moleque,
Descia ladeira
Numa carreira,
Pra ninguém me alcançar.
No meu cavalo,
Que eu fiz de talo,
E à tardinha
Eu ia campear.
E na porteira,
A brincadeira
Era montar
Nos bezerros pra amansar.
Quando eu caía,
Eu sacudia
A poeira
E tornava a montar.
No terreiro,
A lua vinha,
Meu pai sentava
E começava a aboiar.
Ai, que saudade
Daquilo tudo
E do meu pai,
Que não está mais lá...
O meu cavalo
Está guardado.
Não tenho mais
Vontade de campear.
O tempo passa,
Fica a lembrança
Da minha infância
E do meu lugar.
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