Homenagem para Dina Paraguassú
Pelo dia do escritor por sua filha Ana Paula Paraguassú

Dina Paraguassú — palavra que se derrama
no barro quente da estrada, no silêncio de quem ama.
Escreve como quem planta: com fé, com mão de terra,
colhendo o vento que sopra da infância que não erra.
No Dia do Escritor, tua pena é mais que arte,
é cheiro de chão molhado, é saudade em cada parte.
Nas tuas linhas serenas há um tempo que não se apressa,
feito o balanço das redes ou a brisa que atravessa.
Tu és o canto do galo na alvorada singela,
és o cisco nos olhos de quem se lembra da janela.
Nas tuas palavras há rio, saudade, cheiro de pão,
e um sabiá escondido dentro do próprio coração.
Não te bastam as rimas, nem o som bem encaixado:
tu costuras a memória no tecido do passado.
E quem lê o que escreves sente o mundo repousar,
como se a dor se aquietasse só pra te escutar.
Dina, teu dom é relíquia: palavra que nasce mansa,
mas que finca no peito, feito raiz de esperança.
No dia de quem escreve, tua voz é oração:
poetisa que não descreve — transborda emoção.
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