Banho de rio

Banhava-se no rio,
lindamente nua.
Nunca mais pude ver,
mas nunca vou esquecer
beleza igual à sua.
Era ainda donzela,
e todos sonhavam que ela
um dia pudesse ser sua.
E eu, menino arteiro,
ficava escondido, ligeiro,
atrás da moita a espiar.
Toda vez que a via,
quando ela descia
para no rio se banhar,
aquilo, para mim,
era um presente.
Ficava impaciente,
esperando-a chegar.
E quando se despia,
era pura magia:
eu parava até de respirar.
Sei...
O que fiz
foi errado.
Mas juro,
não sou culpado
de Deus criar:
um rio,
uma mulher,
e um menino levado,
que ficou encantado
em vê-la
no rio se banhar.
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