Trump vs. BRICS: O Jogo secreto pelo controle da economia Global

O Brasil defende uma moeda comum que ninguém sabe como funcionaria
Donald Trump discursa a apoiadores, em Washington
Donald Trump discursa a apoiadores, em Washington (Foto: AFP)

Os BRICS , esse glorioso clube de economias emergentes que sonha em derrubar o dólar, enfrenta um problema: ninguém quer abrir mão do seu próprio jogo. A China quer que o yuan seja a estrela, o Brasil defende uma moeda comum que ninguém sabe como funcionaria, e a Índia, bem… está tomando chá com Trump na Casa Branca. Enquanto os discursos inflamados ecoam sobre a necessidade de um mundo multipolar, a triste realidade é que a dependência do dólar segue firme, e qualquer alternativa parece tão sólida quanto uma nota de três reais.

A ideia de uma moeda dos BRICS sem a necessidade de um ativo-âncora conversível a uma taxa fixa pode soar revolucionária, mas esbarra em desafios profundos . Como garantir credibilidade sem um lastro sólido? Como conciliar as divergências entre Rússia e Brasil sobre a desdolarização, quando até mesmo China e Índia divergem em suas ambições geopolíticas? Sem um banco central unificado e sem uma estrutura de governança clara, essa moeda corre o risco de se tornar um experimento frágil, refém das flutuações cambiais e das crises políticas de seus próprios membros. No fim, por mais sedutora que seja a ideia de romper com a hegemonia do dólar, a realidade é que os próprios BRICS ainda não falam a mesma língua quando se trata do futuro financeiro global.

Foto: Instagram
Brasil e Estados Unidos Brincs

Enquanto isso, Donald Trump , o grande maestro do caos internacional, sugere uma cúpula com Xi Jinping e Vladimir Putin para redesenhar a ordem global. A ideia de um encontro entre três líderes que desconfiam profundamente uns dos outros parece digna de um roteiro de comédia geopolítica. De um lado, Trump querendo isolar a China com tarifas. Do outro, Xi tentando consolidar sua influência sobre os BRICS . E, no canto da sala, Putin, segurando suas sanções econômicas como um troféu amargo . Se essa reunião realmente acontecer, podemos esperar tapinhas nas costas e promessas vazias antes que cada um volte a traçar sua própria estratégia de dominação global.

E no meio desse tabuleiro, a Índia de Narendra Modi joga suas peças com maestria. Em vez de se alinhar cegamente aos BRICS, Modi já garantiu seu café da manhã na Casa Branca, sendo o quarto líder mundial a visitar Trump  desde o retorno a Casa Branca  ao poder. Enquanto Pequim e Moscou falam em contestar a ordem ocidental, Nova Délhi se aproxima dos EUA com acordos estratégicos e promessas de cooperação. No final, enquanto os BRICS tentam organizar seu próprio bloco, a Índia já entendeu que o jogo real acontece em Washington, não em cúpulas idealistas sobre uma moeda que talvez nunca exista.