PT x PSD: As lutas Internas que podem rachar a base em 2026

No meio desse cabo de guerra, surge Rafael Fonteles, o maestro da orquestra multipartidária
Deputado Georgiano Neto
Deputado Georgiano Neto (Foto: Instagram)

A política piauiense sempre foi uma arte refinada de composição de chapas, acordos bem costurados e, claro, a velha e boa disputa de ego entre aliados. No entanto, à medida que 2026 se aproxima, um fenômeno particular ganha destaque no cenário local: as lutas internas partidária, um embate onde siglas viram trincheiras e qualquer tentativa de consenso se assemelha mais a um cessar-fogo temporário do que a um acordo duradouro.

De um lado, temos Flávio Nogueira (PT), que já jogou a carta da governabilidade nacional, afirmando que Lula precisa de mais senadores petistas para evitar o famoso "toma lá, dá cá". Nada mais justo, afinal, a matemática congressual não tem sido muito gentil com o Planalto. O problema é que, enquanto ele tenta convencer o PT de que sua candidatura ao Senado é uma missão quase patriótica, o PSD já puxou a cadeira e sentou antes mesmo de o jogo começar.

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Governador Rafael Fonteneles e deputado federal Flávio Nogueira

O deputado estadual Georgiano Neto (MDB) e o federal Júlio César (PSD) não estão brincando em serviço. O discurso é claro: o Senado pertence ao PSD, ponto. "Base eleitoral e apoio político a gente conquista", cravou Georgiano, em um misto de autoconfiança e provocação aos concorrentes. Em outras palavras, se alguém está perdendo espaço na base, talvez devesse revisar sua estratégia antes de culpar o destino.

No meio desse cabo de guerra, surge Rafael Fonteles, o maestro da orquestra multipartidária. Como todo governador experiente, ele se mantém distante do fogo cruzado, lembrando que “todo filiado ao PT pode pleitear vaga, até para presidente da República”. A frase pode parecer inclusiva e democrática, mas também pode ser lida como um elegante “boa sorte aí, galera, se entendam”.

E, claro, há o MDB, que nunca perde a chance de marcar território. Se o PSD ficar com a vaga ao Senado, o MDB já avisou que quer a vice. A federação cruzada entre os dois partidos parece sólida, mas na política, alianças são como sorvete no sol: derretem rápido se não forem bem conservadas.

No fim das contas, a batalha pelo Senado no Piauí é um grande jogo de xadrez onde ninguém quer ser peão. O PT quer protagonismo, o PSD não quer abrir mão de espaço, o MDB quer garantir sua fatia do bolo e Rafael Fonteles quer evitar uma guerra civil dentro da base. Quem vencerá essa queda de braço? Difícil dizer, mas uma coisa é certa: a sigla que ficar de fora da chapa vai passar os próximos anos filosofando sobre os erros dos  grupos de interesse e a cruel realidade da política sem cadeira cativa.