PT sob pressão: o desafio de dominar o Piauí sem rachar alianças!
PSD e MDB dominam prefeiuras, deafiando o crescimento do PT no Piauí

O deputado estadual Marcus Vinícius, representante de Floriano, tem se movimentado estrategicamente para consolidar sua presença na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) e garantir um espaço no cenário político de 2026 em um encontro de deputado do PT na última quarta-feira,29, em Teresina. Atualmente ocupando a cadeira de Nerinho, que foi para a Defesa Civil, Marcus Vinícius busca fortalecer sua base eleitoral e se firmar como liderança competitiva na região. Sua ascensão, no entanto, ainda esbarra na falta de um grupo político consolidado e na resistência de adversários bem estruturados.
Nas eleições municipais de 2024, Marcus Vinícius foi candidato a prefeito de Floriano, mas foi derrotado por Antônio Reis, que obteve 54,68% dos votos. Sua campanha, apesar do apoio do governador Rafael Fonteles, não conseguiu superar a força do PSD, liderado por Georgiano Neto, e do PP, que mesmo na oposição, manteve influência na cidade. A derrota mostra que sua estratégia de depender exclusivamente do governo estadual pode não ter sido suficiente para quebrar a estrutura local de poder.
"O sucesso do PT dependerá de sua capacidade de negociação e de sua habilidade em não apenas manter, mas expandir sua influência sem gerar desgaste interno ou perder aliados estratégicos"
Paralelamente, as bancadas do PT na Câmara Federal e na Alepi intensificam os esforços para fortalecer sua atuação política e administrativa junto aos governos estadual e federal. A sigla, que já comanda o estado, busca consolidar sua hegemonia, mas enfrenta desafios internos e externos. O domínio do PSD e do MDB em prefeituras pelo interior do Piauí coloca em xeque a capacidade do PT de crescer sem alianças mais amplas.
Em reunião recente, os parlamentares decidiram que o deputado federal Flávio Nogueira e o estadual Francisco Limma serão os interlocutores das decisões da bancada. A estratégia é clara: tentar evitar fragmentações internas e manter um discurso unificado, especialmente diante do desgaste sofrido em grandes centros como Teresina e Parnaíba, onde o partido não conseguiu emplacar vitórias.
O deputado federal Francisco Costa já vinha defendendo um maior espaço para o PT dentro do governo de Rafael Fonteles, reforçando a necessidade de expandir o controle sobre cargos estratégicos. Essa ambição, no entanto, pode gerar atritos com aliados de outras siglas que também fazem parte da base governista. A presença da deputada Elisângela Moura, do PCdoB, demonstra que a federação partidária entre PT, PCdoB e PV ainda é um pilar fundamental para a sustentação do projeto petista.
O deputado estadual Franzé Silva enfatizou a necessidade de ampliar a bancada na Alepi, passando de 12 para 15 cadeiras. Esse objetivo, embora possível, dependerá de uma articulação eficiente, já que a fragmentação do eleitorado e o fortalecimento de outras legendas podem dificultar essa expansão. Além disso, a recente derrota em Teresina e a perda de espaço em Parnaíba mostram que o PT precisa repensar sua estratégia eleitoral para não depender apenas do interior.
Embora o PT tenha o governador Rafael Fonteles como seu principal trunfo, a legenda não tem o mesmo domínio absoluto de outrora. Em 2024, elegeu 50 prefeitos, mas foi superado pelo PSD, que ficou com 65. A aliança MDB-PSD conquistou 122 prefeituras, reforçando a disputa pela hegemonia no estado. Esses números indicam que, apesar da força do PT, a base governista é heterogênea e pode, em algum momento, apresentar fissuras.
O cenário político do Piauí caminha para uma polarização entre a estrutura consolidada do PT e a resistência do PSD e do PP. A disputa pelos próximos anos será marcada pela busca de espaços dentro do governo estadual e pelo fortalecimento de lideranças municipais. O sucesso do PT dependerá de sua capacidade de negociação e de sua habilidade em não apenas manter, mas expandir sua influência sem gerar desgaste interno ou perder aliados estratégicos.