Oie, Raios! Minha experiência no SPFW com Dendezeiro e Ângela Brito
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Oie, Raios! Meu nome é Luana Pimentel, sou modelo, natural de Floriano, no Piauí, e atualmente moro em Brasília. Agora estou aqui no Rota 354, escrevendo para vocês uma vez por semana (ou até mais, vai depender da intenção de vocês).
Vou chamar vocês de Raios, como costumo chamar quem já me acompanha no Instagram — e a partir de agora, vocês também fazem parte dessa nova fase comigo.
E para começar essa coluna, quero dividir uma experiência que me marcou profundamente: a oportunidade de acompanhar de perto o São Paulo Fashion Week (SPFW), o maior evento de moda do Brasil e um dos mais importantes da América Latina.
O que representa o SPFW hoje: O SPFW é mais do que uma semana de moda. Ele é um retrato do que o Brasil tem de mais diversos e criativo.
A cada edição, novas vozes, corpos e discursos ganham espaço, mostrando que a moda vai muito além das tendências. Ela é expressão, resistência e arte.
Nesta temporada, senti que a moda brasileira está mais madura, consciente e conectada com o tempo em que vivemos. Os desfiles misturaram tradição e inovação, tecnologia e afeto, sempre com o olhar voltado para a pluralidade que nos define como país.
Entre tantas apresentações incríveis, dois desfiles me tocaram especialmente: Dendezeiro e Ângela Brito.
Dendezeiro — moda, cultura e resistência: A Dendezeiro, marca baiana criada por Hisan Silva e Pedro Batalha, apresentou o último capítulo da trilogia “Brasiliano”. O desfile, intitulado “Lei da Vadiagem”, foi mais do que moda: foi uma performance política e emocional.
Inspirado nos Bailes Black dos anos 1970 e 1980, o show transformou a passarela em um espaço de celebração e crítica social. A coleção revisitou elementos da cultura popular e das periferias brasileiras, abordando temas como identidade, racismo e pertencimento, mas sem perder a leveza e a alegria que são marcas da Dendezeiro.
As peças misturaram alfaiataria desconstruída, jeans, couro e tricôs coloridos, sempre com um toque artesanal. Miçangas, crochês e bordados deram textura e emoção às roupas, transformando cada look em uma narrativa visual.
O casting foi diverso e potente, com modelos e artistas que representavam a multiplicidade do Brasil. O público vibrou, e a crítica destacou a capacidade da marca de unir estética, discurso e emoção sem cair na obviedade.
Estar presente nesse desfile foi emocionante. Como mulher nordestina, me senti representada e orgulhosa de ver uma marca da Bahia ocupando um espaço tão importante com tanta autenticidade e força simbólica.
Ângela Brito — elegância que conversa com o tempo: Enquanto a Dendezeiro trouxe o calor e a batida das ruas, a Ângela Brito apostou na poesia da forma e no poder do silêncio. A estilista, nascida em Cabo Verde e radicada no Brasil, apresentou uma coleção madura, introspectiva e de uma beleza precisa.
Intitulada “Pangeia”, a coleção foi um mergulho na ideia de conexão e deslocamento.
Ângela brincou com dobras, sobreposições, recortes assimétricos e alfaiataria fluida, criando roupas que pareciam em constante movimento.
A cartela de cores transitava entre neutros, terrosos e toques sutis de vermelho, e os tecidos variavam entre linho, algodão e tramas naturais, reforçando o valor do feito à mão.
As críticas destacaram o equilíbrio entre conceito e usabilidade — roupas que carregam ideias, mas também acolhem o corpo. A coleção foi descrita por muitos como “uma conversa entre o tempo e a pele”, e não poderia haver definição melhor.
Assistir ao desfile de Ângela Brito foi presenciar moda que pensa, sente e respira. Uma experiência silenciosa e poderosa.
Uma edição para celebrar a diversidade: A edição do SPFW que acompanhei foi uma das mais diversas e simbólicas dos últimos tempos.
O evento reforçou seu compromisso com a inclusão, com a valorização de criadores independentes e com a visibilidade de novas narrativas estéticas.
Houve espaço para diferentes corpos, gêneros, idades e origens.
As passarelas refletiram o que o Brasil realmente é: múltiplo, contraditório e vibrante.
Ver essa pluralidade sendo celebrada foi inspirador. Como modelo e profissional que vive entre o consultório odontológico e o mundo da moda, pude sentir que há espaço para autenticidade — e que o público quer justamente isso: histórias verdadeiras, pessoas reais e moda com propósito.
O impacto pessoal: Estar presente no SPFW foi mais do que uma experiência profissional; foi um momento de aprendizado e pertencimento.
Entre flashes, tecidos e conversas de bastidores, percebi que a moda tem o poder de unir mundos muito diferentes — e que cada um de nós pode ser parte dessa construção.
Para mim, moda é sobre presença, identidade e expressão. É sobre olhar no espelho e reconhecer quem somos — não o que esperam que sejamos.
Até o próximo raio: Essa foi minha primeira coluna aqui no Rota 354, e quero que seja apenas o começo. Nos próximos textos, quero dividir com vocês um pouco mais dos bastidores da moda, da minha rotina e de tudo que aprendo nesse caminho entre o consultório e a passarela.
E você, meu raio, me conta: o que mais tem inspira na moda brasileira?
Até a próxima,
Luana Pimentel