O Conclave de 2025 e o milagre da superlotação espiritual
Conclave para eleger sucessor de Francisco será o maior já registrado na história da Igreja

Ah, o Conclave de 2025 ! Que evento modesto e discreto não será? Apenas o maior da história , com míseros 133 cardeais eleitores apinhados na Capela Sistina . Imagina a brisa suave que não vai circular por ali...
E pensar que o bom e velho São João Paulo II , com sua modéstia polonesa, até tentou botar ordem na casa com um limite de 120 eleitores . Que ingenuidade! Afinal, para que regras quando se pode simplesmente dizer "dispensa aí, Francisco , a gente gosta é de multidão!". Parece que a Capela Sistina vai virar um daqueles vagões de metrô em hora de pico, só que com mais barretinas vermelhas e menos gente reclamando do sovaco alheio (esperamos).
É quase emocionante ver como quebramos recordes com tanta desenvoltura. De 115 eleitores nos "pequenos" conclaves de 2005 e 2013 para gloriosos 133 ! Um salto quântico na arte de escolher um líder espiritual. Imagino a logística: mais cadeiras, mais água benta, mais espaço para cotoveladas discretas durante a votação.
E a diversidade geográfica, então? Um verdadeiro arco-íris de nacionalidades! Setenta e um países representados! Mas, sejamos honestos, quando olhamos para os "maiores grupos nacionais", quem se destaca? Ta-dam! A sempre influente Itália , com seus modestos 17 cardeais , seguida de perto pelos discretíssimos Estados Unidos , com seus singelos 10 representantes . E o Brasil , ah, o Brasil com seus exuberantes 7 eleitores , garantindo aquela pitada de tempero tropical na escolha do próximo pontífice.
Aliás, o clima de expectativa não se restringe ao Vaticano . Em terras tupiniquins, há fiéis que já estão literalmente em contagem regressiva.
E lá em Santa Cruz dos Milagres, PI , minha tia Zuleide — beata fervorosa, presidente vitalícia do terço das senhoras e responsável oficial pelas flores do altar — já está em modo Conclave. Desde que ouviu falar da eleição, acendeu uma vela de sete dias atrás da outra, rezando para que “dessa vez venha um Papa que fale mais português que latim”. Ela jura que sonhou com um cardeal “moreno, de olhar firme e voz de trovão”, e desde então está convencida de que o Espírito Santo anda consultando o CEP antes de pousar. Se depender das novenas dela, o próximo Papa vai ter sotaque do interior e preferência por missa com sanfona.
É quase nostálgico lembrar dos conclaves "intimistas" do passado. Um dos maiores do Renascimento , em 1503 , com apenas 39 votantes ! Que pobreza! Mal dava para formar um time de futebol completo. E pensar que alguns desses encontros levavam mais de mil dias ... Sinal de que, com menos gente, a conversa era mais... alongada? Ou talvez faltasse um bom cafezinho para agilizar as decisões.
Felizmente, nos tempos modernos, a coisa é mais rápida. Afinal, com tanta gente opinando, a tendência é chegar a um consenso rapidinho, não é mesmo?.
Então preparem seus lencinhos (para as lágrimas de emoção ou de claustrofobia, você escolhe), porque o Conclave de 2025 promete ser um evento inesquecível. Um verdadeiro "quem é quem" da hierarquia católica, reunido para nos mostrar que, quando se trata de números, a Igreja não veio para brincadeira. E que, apesar da globalização, certas "tendências" geográficas parecem ter raízes bem profundas. Que a força (divina e dos lobbies) esteja com eles!