Na garupa do Alazão

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Na garupa do Alazão
Na garupa do Alazão (Foto: Gerado por IA)

Ainda de madrugada, no silêncio derradeiro,

Eu e meu herói saíamos sorrateiros.

Na garupa do cavalo e agarrado no meu pai,

Eu seguia em sonho acordado

num tempo que ficou pra traz.

Os cachorros latiam, e os galos já cantavam,

na minha pequena Canavieira, muitas almas despertavam.

O caminho era longo, capoeira e baixão,

Eu sorria forte e livre no compasso do estradão

Chegando no rio barrento, corrente forte a passar,

sem descer do garanhão, decidimos atravessar.

E do outro lado o mundo parecia se acender,

o dia clareando, o sertão querendo viver.

Os passarinhos faziam festa, trinados no ar,

como quem abre caminho para o sol anunciar.

E entre campos distantes, esperança e alegria,

a jornada se alongava, bordada de Abdias.

Na fazenda de destino, mesa posta e acolhida:

café quente, cuscuz de milho e coalhada escorrida.

Era o fim da cavalgada, mas começo da história,

que o menino guardou no peito, em sua mais doce memória.