Meu avô

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Meu avô
Meu avô (Foto: Gerado por IA)

Lembro-me ainda seu sotaque lusitano

E dos beijos macios que me dispensava,

Aquela cabeleira cheia, lisa e flava,

E também coração de bom samaritano.

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Contagiante! Entrava ano e saía ano,

Seu peito parecia-me uma funda aljava,

Onde boa quantidade de flechas guardava

E não as disparava a esmo ou por engano.

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Setas de um infindável e puro carinho,

Dele fluíam como fato comezinho,

Como a beleza rústica de um bangalô.

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E hoje, ao usufruir beijos dos meus netos,

Vejo-me arrebatado com tantos afetos

E sinto pelos não dados em meu avô.