Lulando o Real enquanto o Banco Centraliza a incerteza
No Brasil,o câmbio flutua mais com discursos do que com exportações
No grande circo da economia brasileira, o real virou malabarista sem rede. Entre aplausos para Milei e pedidos para o povo evitar o supermercado, a moeda tropeça nos bastidores cambiais — e o público, atônito, só observa o dólar encostar nos R$ 5,90.
Ex-presidente do BC, Campos Neto cobra “choque fiscal” e elogia o libertarianismo de direita, deixando o mercado em taquicardia. O real, que iniciou 2025 abaixo de R$ 4,90, já derreteu mais de 20%, enquanto a nova gestão técnica finge que a volatilidade se resolve com cinco critérios frios e fórmulas que ignoram Brasília.
No Brasil, o câmbio flutua mais com discursos do que com exportações. Mesmo com superávit acima de US$ 7 bilhões em março, o real reagiu mais às falas de Lula sobre “arapuca cambial” e aos tweets ministeriais do que a qualquer swap cambial. PowerPoint não protege de microfone ligado.
Galípolo, agora presidente do BC, virou malabarista institucional. Precisa sustentar credibilidade técnica sem bater de frente com o Planalto. Mas como equilibrar a régua da ortodoxia diante das marretadas populistas do governo? Qualquer frase ambígua vira ruído — e ruído, aqui, vira câmbio em pânico.
Conclusão? A dicotomia entre técnica e política não é só real — é cambial.