Lula e a Ilusão do Governo sem Congresso

Ciro Nogueira, líder do PP, já deixou claro que seu partido não estará com Lula em 2026
O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento no Palácio do Planalto
O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento no Palácio do Planalto (Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/11-09-2024)

Lula deve achar que é protagonista de um reality show onde só a opinião do seu partido importa e o Congresso é apenas um figurante mal pago. Enquanto ele governa como se estivesse em um palanque eterno, os partidos do centrão – especialmente o PP de Ciro Nogueira – já ensaiam um desembarque. Mas será que o presidente está preocupado? Parece que não. Afinal, negociar com parlamentares dá trabalho, e Lula prefere fingir que sua base parlamentar é feita de fãs incondicionais. O problema é que, na política, ignorar o Congresso costuma ter consequências bem reais.

Ciro Nogueira, líder do PP, já deixou claro que seu partido não estará com Lula em 2026. E não é só o PP. Republicanos, União Brasil e até setores do PSD já demonstram resistência. Mas será que Lula está preocupado? Pelo visto, não. Afinal, para ele, negociar com o Congresso parece ser um detalhe irrelevante.

Só que essa postura tem consequências. A Lei Orçamentária de 2025, que deveria ter sido aprovada no ano passado, segue travada por disputas políticas e falta de consenso. Enquanto o governo tenta empurrar decisões com a barriga, deputados e senadores fazem valer seu peso político, exigindo transparência nas emendas e cobrando compromissos.

O PP, presidido por Ciro Nogueira, não apenas resiste ao governo, mas exerce um papel fundamental no Orçamento. O próprio presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), reforça que sem acordo, nada anda. Ou seja, se Lula realmente acredita que pode ignorar o Congresso e governar apenas para seu partido, talvez esteja prestes a descobrir que, no Brasil, presidente sem base não governa—fica refém.

Resta saber até quando Lula vai menosprezar a força do Congresso antes que os parlamentares lhe deem um lembrete prático de como funciona a política real.