Intestino travado: Entenda a doença do ex-presidente Bolsonaro

Bolsonaro é transferido de Natal para Brasília e pode enfrentar cirurgia delicada nos próximos dias

Natal, 12 de abril de 2025 — O sol já baixava sobre o asfalto quente da capital potiguar quando o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou o Hospital Rio Grande, onde esteve internado por 24 horas com fortes dores abdominais. À primeira vista, era mais um traslado médico, desses que se repetem nos bastidores dos corredores hospitalares. Mas ali, naquele instante, algo transcendia o ordinário: o líder que não ocupa cargo algum, mas continua a exercer um poder quase monárquico sobre a direita brasileira, partia escoltado por aplausos, celulares e lágrimas.

Com destino ao Hospital DFStar, em Brasília — em uma aeronave equipada com UTI aérea —, Bolsonaro viaja não apenas como paciente, mas como símbolo e catalisador de um movimento político que continua vivo, pulsante e, sobretudo, aguardando o sinal de seu timoneiro para a batalha eleitoral que se avizinha.

Mesmo fora do Planalto, Bolsonaro continua sendo o protagonista invisível das decisões da direita, dividindo seu tempo entre recuperações médicas e articulações políticas. Em silêncio, move peças, sonda nomes, dita o compasso. É ele quem escolhe quem se lança — ou quem recua.

A simples notícia de sua transferência mobilizou dezenas de apoiadores às portas do hospital. Gritavam "mito", como se evocassem um avatar da vontade popular, um homem que carrega em seu corpo marcado por cirurgias e cicatrizes a expectativa de um Brasil "de volta ao eixo" — segundo seus fiéis.

? INFOGRÁFICO | O que é a Suboclusão Intestinal?

A condição que levou o ex-presidente à internação, chamada suboclusão intestinal, é uma forma de obstrução parcial do trânsito intestinal. Ela pode ser causada por aderências de cirurgias anteriores (como é o caso de Bolsonaro), hérnias, inflamações ou tumores.

Foto: META IA
Infográfico da doença de Bolsonaro

Embora não seja sempre grave, a suboclusão pode evoluir para um quadro de obstrução total, necessitando de cirurgia emergencial. Daí a transferência para uma unidade de maior complexidade como o DFStar, que oferece todos os recursos para tratar casos assim.

A cena registrada por câmeras — de apoiadores cantando o Hino Nacional diante de uma ambulância fechada — não é apenas emocional. Ela é política. Revela que, mesmo em um momento de fragilidade física, Jair Bolsonaro ainda dita ritmos, define campos e canaliza afetos.

No xadrez da centro-direita , todos os jogadores olham para ele. Mesmo que não seja candidato, sua bênção é uma senha. Seu aceno é um salvo-conduto. Seu silêncio pode significar recusa — e sua fala, investidura.

A transferência de Jair Bolsonaro é mais do que um deslocamento clínico. É uma cena simbólica de um país que ainda não decidiu se quer virar a página ou reler o mesmo capítulo — agora com outras entrelinhas.

Ele não precisa estar no cargo para continuar no jogo. Porque em política, o verdadeiro poder nem sempre está na caneta — mas em quem inspira quem a segura.