Inflação cai, PIB empaca e Brasil tropeça nos próprios erros

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 5,55%

Notícia do dia: o mercado financeiro reduziu a previsão da inflação de 2025 para 5,55%. Palmas? Talvez. Mas sem exageros, por favor. Estamos falando de um país que, mesmo quando o vento sopra a favor, consegue remar em círculos.

O Boletim Focus traz um leve alívio: inflação em queda, juros estáveis com possibilidade de corte lá na frente, quem sabe, se o humor dos economistas permitir. Enquanto isso, o PIB — esse coitado — segue no seu ritmo de tartaruga asmática: 1,9%. O Brasil parece ter feito um pacto com o crescimento anêmico. Ninguém avança, mas também ninguém morre. Ainda.

Agora, a cereja do bolo: os Estados Unidos, sob a batuta de Donald Trump 2.0 , voltaram com tarifas protecionistas. E vejam só, dessa vez o Brasil foi beneficiado. Sim, beneficiado! Um feito raro, quase místico. É como achar uma nota de R$ 50 no bolso do paletó guardado desde a Copa de 2014.

Mas nem isso basta. Porque quando surge uma oportunidade global — tipo, o mundo inteiro se organizando para repensar cadeias produtivas — o Brasil continua discutindo se vai liberar venda de spray de pimenta no Enem ou se o agro pode dirigir blindado sem cinto.

Enquanto o dólar se mantém sob controle e as commodities ajudam a conter a inflação, seguimos com uma estrutura fiscal esburacada, reformas pela metade e um Congresso que acha que estabilidade econômica é sinônimo de orçamento secreto.

Sim, a inflação caiu. Mas não por genialidade interna — e sim porque o resto do mundo fez o favor de não afundar. O Brasil, esse gênio tropical, foi agraciado com uma ajudinha de fora. E, como sempre, vai desperdiçar em grande estilo.

Com sorte, encerramos 2025 com inflação civilizada, juros civilizados e um crescimento de país que já foi colônia e ainda age como se fosse.