Infância na roça
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Infância na roça (Foto: gerado por IA)
Nos caminhos de barro do roçado
meus pés pequenos corriam ligeiros,
entre talos verdes do milho plantado
e o espelho d’água do arroz ligeiro.
O sol brilhava nas cores da manhã,
brisa suave no rosto, terna lembrança
e no céu aberto, revoada de maracanãs,
tecendo o dia em música, cor e dança
Rolinha fogo-apagou, tão mansa e altiva
Bem-te-vi gritando seu nome bem alto
corrupião em cores de festa viva,
e o galo-de-campina saltando no mato
Marrecos riscando o céu em fileira,
inhambu se escondendo ligeira no chão,
cada canto uma reza, cada asa bandeira,
na missa da infância, no altar do sertão.
E assim guardo, no peito menino,
a eternidade em um simples pedaço:
milho, arroz, cantoria e caminho,
e a liberdade dos pássaros no espaço.