Festa no cemitério

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Festa no Cemitério
Festa no Cemitério (Foto: gerado por IA)

Pra não ser assaltado, entrei no cemitério,

Numa tétrica e fria noite de lua nova,

Ao pular sobre o muro, cai numa cova

Aberta, veja, então, que grande despautério.

Naquele tão macabro e esquisito ascetério,

As caveiras faziam sensual festança,

Mas faltavam bebidas e sem comilança,

Gerava-se ali um vil descontentamento,

Daquele inusitado e fétido momento,

Nascia acirradíssima desconfiança

.

O assunto ia ficando cada vez mais sério.

Ossos secos batendo em outros secos ossos,

Numa dança de finos ossos contra grossos,

Naquele tão disforme e grande necrotério.

Eu que estava escondido em cova de mistério,

Rilhando dentes contra dentes só de medo,

Podia ser descoberto e ser posto em degredo,

Arrepiei-me ao ver a caveira dentuça,

Rodopiando e rindo com escaramuça,

Em contradança co'outra que faltava um dedo.

Algumas reclamavam do "vei" Zé Firmino,

Que zabumbava por demais fora do tom

Tinha caveiras machos usando batom,

E outros requebrando-se e falando fino.

Vi esqueletos de homem, mulher e menino,

No entanto, ali, ninguém respeitava ninguém,

Alguém pôs a mão boba nas 'partes' d'alguém,

Dentro da cova, eu vi o pau comeu dobrado!

Melhor me teria sido na rua assaltando,

Que estar no cemitério de todos refém.