“Diplomas no silêncio: o que a EAD pode nos ensinar — ou esconder”

A nova sala de aula. Invisível, silenciosa, solitária.
“Diplomas no silêncio: o que a EAD pode nos ensinar — ou esconder”
“Diplomas no silêncio: o que a EAD pode nos ensinar — ou esconder” (Foto: Imagem gerada por IA)

“Diplomas no silêncio: o que a EAD pode nos ensinar — ou esconder”

De um lado da tela, uma chamada de vídeo que trava.

Do outro, um aluno que tenta acompanhar a explicação com o fone quebrado, o filho chorando ao fundo e o cansaço de quem trabalha o dia inteiro.

Essa é a nova sala de aula. Invisível, silenciosa, solitária.

A Educação a Distância cresceu como nunca. Democratizou o ensino, alcançou rincões onde antes só havia sonhos guardados na gaveta. É verdade: abriu portas.

Mas, ao mesmo tempo, fechou janelas.

Janelas da convivência, do debate presencial, da troca de olhares que ensina mais que qualquer slide.

Na pressa por formar, esquecemos de formar bem. E o que isso tem a ver com as organizações? Tudo.

Estamos prestes a receber, no mercado de trabalho, uma geração de profissionais moldada na ausência: da prática, do contato humano, do exemplo ao vivo.

Muitos deles terão o diploma, mas talvez não saibam o que fazer com ele na hora do “vamos ver”.

Claro, há exceções. Há alunos incríveis na EAD, que se superam todos os dias. Mas será que o modelo atual — em sua maioria — prepara mesmo para a vida profissional?

Formar à distância exige muito mais que uma plataforma digital.

Exige supervisão, cuidado, exigência, estrutura.

Sem isso, o que teremos é uma massa de formados sem formação real.

E as organizações sentirão o impacto.

Porque uma empresa é feita de gente que pensa junto, discute ideias, resolve problemas.

E isso não se aprende só em apostilas e quizzes online.

Se aprende na convivência. No erro e no acerto em grupo. No olho no olho.

A EAD pode ser uma aliada poderosa. Mas se usada como atalho, vira armadilha.

E talvez, num futuro próximo, vejamos organizações cheias de diplomas...

Mas vazias de preparo.

Segundo o Censo da Educação Superior (INEP, 2024), mais de 60% das novas matrículas no ensino superior no Brasil já são em cursos EAD. O número de ingressantes na modalidade a distância ultrapassou os presenciais desde 2020, em um crescimento acelerado que, embora revele democratização do acesso, também levanta questões sobre a qualidade da formação e os impactos no mercado de trabalho.

E você, leitor: na sua empresa, o que vale mais — o diploma pendurado na parede ou a habilidade de resolver um problema em equipe?