De olho na imagem, prefeitura tira o mutirão da gaveta

Prefeitura de Floriano iniciam roço e capina

A gestão municipal de Floriano deu o passo que precisava: tirou o mutirão da gaveta e colocou o maquinário na rua . Não é coincidência, é cálculo — e o tempo da decisão revela isso com clareza.

Hoje, segunda-feira, 5 de maio , deu início a nova edição da campanha “Nosso Bairro é Limpeza” , com evento de abertura no bairro Irapuá — uma escolha nada aleatória. Ali, o governo quer mostrar presença. É o cenário ideal para sinalizar que está “no comando”.

Essa movimentação, porém, está longe de ser inédita. Após cem dias marcados por críticas crescentes e visível desgaste , o prefeito recorre a um expediente já utilizado em 2023 e 2024 : ações de forte apelo visual e impacto imediato, que contenham ruídos, acalmem ânimos e passem a ideia de reação. A fórmula se repete porque costuma funcionar — ao menos no curto prazo.

A escolha do mês de maio, por sua vez, não segue apenas a lógica das chuvas. Em Floriano, o ciclo climático termina em março, e este ano tivemos uma “seca verde” que permitiria antecipar as ações para março ou abril. Ainda assim, a gestão apostou no mês de maio — e pagou um preço político por isso. A diferença é que, no ano passado, o eleitor compreendia a espera como parte de um “ajuste de gestão”; agora, com o prefeito Antônio Reis reeleito, a paciência se esgotou . O que antes era tolerado como transição, hoje é cobrado como obrigação.

Diante disso, fica a dúvida: valeu a pena esperar tanto para agir? Talvez, na lógica fria do gabinete, a resposta seja sim. A aposta parece ter sido que uma ação tardia, porém bem orquestrada, ainda teria poder de reverter a curva de insatisfação. Imaginar esse cálculo é compreender a política como ela realmente opera: entre pragmatismo, controle de danos e gestão de imagem. O tempo da cidade, no entanto, nem sempre é o tempo da comunicação de governo — e aí mora o risco de errar o tom, mesmo acertando a coreografia.

Agora, é observar. O mutirão está nas ruas. Mas a pergunta que paira é simples: será o suficiente para recuperar a confiança e conter o desgaste? A resposta virá não com o barulho das máquinas, mas com o silêncio — ou não — das críticas que ainda ecoam nos bairros.