Coveiro II

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Coveiro II
Coveiro II (Foto: Gerado por IA)

Sou o coveiro sim, deste cemitério, moço;

Onde enterro nem sei quantos corpos ao dia,

Chegam escaveirados de melancolia,

Parecem uns chorar na descida do poço.

.

Nem pense que me julgo imune ao alvoroço,

Ou picado por mosca da topofilia,

Diretamente sou vítima da agonia,

Apenas homizio o meu forte sobroço.

.

Entre mortos sou o vivo mais angustiado,

Tenho um futuro curto e trago do passado

Uma incomensurável carga de amargura....

.

Será preciso muito mais que um coveiro,

Trabalhando incansável por um dia inteiro,

Pra colocar tudo isso em minha sepultura.