Carnaval da Família: Entre confetes,inclusão e a marca de Antônio Reis
A ideia, ao que tudo indica, é criar um evento que se diferencie do carnaval popular

Se tem uma coisa que político adora, além de inaugurar obra inacabada e tirar foto abraçando criancinhas, é deixar sua marca registrada. Antônio Reis (PSD), prefeito de Floriano, não é diferente. Depois de herdar um município que vive ao ritmo do tradicional "Arrastão do Cais", criado pelo ex-prefeito Joel Rodrigues, ele decidiu que era hora de ter sua própria assinatura festiva. E o que poderia ser mais inovador do que um... Carnaval da Família ?
A ideia, ao que tudo indica, é criar um evento que se diferencie do carnaval popular e das multidões que seguem um trio elétrico comandado por uma atração nacional. Afinal, se o povo já tem seu arrastão, por que não dar aos idosos e às crianças um bloquinho mais comportado, com menos empurra-empurra e mais marchinhas nostálgicas? A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social (SEMDAS) foi encarregada de organizar o desfile, garantindo a inclusão dos idosos assistidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) e crianças atendidas pelo Programa Criança Feliz.
A movimentação é claramente estratégica: Reis quer uma festa para chamar de sua. Enquanto Joel Rodrigues arrastava multidões até o cais ao som de um trio elétrico de renome, o atual prefeito tenta consolidar um evento que represente sua gestão. É quase um embate simbólico entre o carnaval do povão e o carnaval familiar, entre o empurra-empurra do arrastão e a organização quase didática do bloquinho social.
Mas sejamos justos: criar uma identidade política em cima de um carnaval para idosos e crianças é, no mínimo, curioso. Em tempos em que gestores tentam se destacar por grandes obras, geração de empregos e infraestrutura, Reis opta pelo confete, pelo samba (moderado) e pela inclusão social festiva. É uma jogada ousada, especialmente quando se pensa que o eleitor, em outubro, não vota de acordo com a folia, mas sim com o peso no bolso como serviços públicos essenciais.
No fim das contas, resta saber se o "Carnaval da Família" será suficiente para fazer Antônio Reis ser lembrado além da quarta-feira de cinzas. Porque, convenhamos, festa é bom, mas legenda na urna eleitoral é outra história.