A PAZ DO SERTÃO
Aperte o play e ouça a música A PAZ DO SERTÃO Parceria: José Paraguassú & Evaldo Neves

Eu…
Um dia desses
Tive uma conversa
Com um sujeito do sertão,
Mas um sertão lá de dentro,
No meio das serras,
Isolado por proteção.
Ele me contou,
Feliz e satisfeito,
Que lá eles vivem diferente:
O transporte é o jumento,
As panelas são de barro,
Não se vê passar um carro,
Nem se ouve televisão presente.
Disse que menino
Ainda pede a bênção
E tem medo de assombração.
Falou, meio desconfiado,
Que por lá supermercado
É a feira,
E as prateleiras
São o chão.
Contou que lá
Ninguém tem conta a pagar,
Nem precisa quase comprar.
Cada um planta o que precisa,
E da terra se realiza
Arroz, milho e feijão.
Não carecem de energia:
De dia, o sol alumia,
E à noite, a lua faz clarão.
Todo mundo vive sossegado,
Longe da tal civilização.
E avisou, bem prevenido:
“Que ninguém venha metido
A trazer novidade da cidade,
Coisa que só traz vaidade
E não serve pro sertão.”
Eu, ouvindo aquilo tudo,
Olhando aquele matuto,
Descalço, simples, no chão,
Mas com um brilho profundo
De quem vive nesse mundo
Sem peso no coração…
Garrei a imaginar
Que nós, do lado de cá,
Não sabemos aproveitar
A verdadeira simplicidade.
Vivemos sempre a buscar
Tudo que o dinheiro dá,
Às vezes sem nem precisar.
Mas há coisa que não se compra,
Nem com toda ambição:
A paz que mora e se encontra
Na alma daquele
Sujeito do sertão.