A direita rachou — e a briga é pela alma do bolsonarismo

Ciro acusa erro de Eduardo e expõe racha entre bolha ideológica e bolha pragmática da direita
Senador Ciro Nogueira visita Teresina, caminha no Centro e almoça no bandejão
Senador Ciro Nogueira visita Teresina, caminha no Centro e almoça no bandejão (Foto: Instagram Itamar araujo torreão)

A ofensiva tarifária de Trump virou estopim de uma guerra interna na direita brasileira. Ciro Nogueira saiu em defesa de Tarcísio e mandou um recado direto ao clã Bolsonaro: “menos radicalismo, mais pragmatismo”. O alvo? Eduardo Bolsonaro e sua metralhadora ideológica em modo automático.

Eduardo, em licença da Câmara, resolveu usar o tempo livre para alvejar Tarcísio por “subserviência às elites”. Atacou o governador por tentar proteger São Paulo das tarifas americanas. Enquanto Tarcísio fala com empresários e embaixadores, Eduardo conversa com o espelho do gabinete do ódio.

Ciro sabe que 2026 começa agora. Ao defender Tarcísio , ele se posiciona como o vice dos sonhos: discreto, articulado e com o centrão no bolso. Sabe que, no segundo turno, discurso de guerra cultural não ganha eleição. Já viu esse filme — e prefere um roteiro sem final bolsonarista.

Enquanto isso, Eduardo sonha com o Senado pelo Rio, surfando a mesma onda da família: antiglobalismo, gritaria contra a imprensa e veneração incondicional a Trump. É um personagem de temporada, que sobrevive de polêmica em polêmica, como quem tenta manter a plateia acordada.

A disputa, na prática, revela o choque entre duas direitas: uma que quer governar e outra que quer lacrar. Ciro aposta em viabilidade institucional. Eduardo aposta em curtidas. O eleitorado de centro observa, e o eleitorado fiel começa a se cansar do eterno replay da radicalização.

A disputa revela um falso dilema: como se a direita só pudesse existir em duas bolhas — a dos engravatados moderados e a dos youtubers furiosos. Ciro tenta vender governabilidade como virtude suprema, enquanto Eduardo transforma radicalismo em identidade. Mas, no fundo, ambos sabem: a bolha que inflar mais rápido é a que estoura primeiro.

Em 2026, Ciro quer o Planalto, Eduardo quer o Senado — e ambos querem ser mais relevantes que o outro. Mas, no fim, quem pode ganhar mesmo Possivelmente … é o Lula tomando suco e rindo.