A quitanda do Cilirão

Cirilão já se foi,
faz já um tempão,
mas está em boas mãos.
Deixou, na sua história,
boas recordações.
Era muito correto,
um pacato cidadão.
Media mais de dois metros,
um tremendo homenzarrão.
O pé era enorme,
assim também as mãos.
Parecia um gigante
de filme de ficção.
Só andava de sandálias,
fabricadas por encomenda
em sapateiro artesão.
Sua quitanda no mercado
chamava atenção:
era a mais sortida
de toda a região.
Lá, ele vendia:
cangalha, jacá e bacia;
cabresto, corda e facão;
remédio para bicheira,
lamparina, querosene e lampião;
fumo de rolo, cocada e rapadura,
e muitos outros produtos
de primeira necessidade
para toda a região.
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