Vacina contra o câncer de próstata criada no Brasil começa a ser testada nos EUA
A vacina foi desenvolvida em Porto Alegre (RS), pela equipe do médico Fernando Kreutz.
Uma vacina terapêutica contra o câncer de próstata criada por pesquisadores brasileiros acaba de ser aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, e começa a ser testada em pacientes norte-americanos.
A vacina que agora passa por estudos clínicos foi desenvolvida em Porto Alegre (RS), pela equipe do médico Fernando Kreutz. A pesquisa para o desenvolvimento do medicamento durou 25 anos.
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“A gente descobriu uma forma inédita de modificar essa célula. E é isso que faz essa vacina ser tão interessante e ter os resultados que ela tem tido. Esse é o diferencial”, explicou ao G1 o médico Fernando Kreutz.
Os testes clínicos realizados nos EUA servirão para comprovar a eficácia da vacina em grande escala e também para abrir caminho para que o tratamento seja comercializado internacionalmente. Estima-se que em 18 meses o resultado do estudo já seja conhecido.
"A gente executou esses estudos, acompanhou esses pacientes, alguns pacientes até por 10 anos que a gente acompanhou, para ver quais eram os efeitos. Tanto efeitos, se havia algum tipo de toxicidade, algum efeito adverso, quanto resultado da eficácia dessa terapia", diz o pesquisador.
Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o ano de 2024 deve terminar com o Brasil tendo registrado 71 mil novos casos de câncer de próstata. Quando descoberto de forma precoce, as chances de curas são altas. Porém, mesmo após o tumor ser removido, a doença pode retornar após o período de remissão em cerca de 30% dos pacientes. A vacina promete reduzir as chances de recorrência do câncer.
Apesar da vacina combater especificamente o câncer de próstata, o médico diz que ela pode ser adaptada no futuro, sendo usada para outros tipos da doença.
“Essa vacina terapêutica é para pacientes com de câncer de próstata, mas ela poderá ser aplicada em outros tipos de tumor também, como tumor de mama, tumor gástrico, tumor de intestino, tumor de pulmão. Isso vai ser um avanço significativo, não só para o Rio Grande do Sul, não só para o Brasil, mas globalmente”, celebra o médico.
O projeto responsável pela criação da vacina contou com financiamento de um fundo de incentivo à inovação do Ministério de Ciência e Tecnologia e o apoio de agências de fomento, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), além de investimentos privados e colaborações acadêmicas.
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