UFPI investiga segurança de plantas medicinais no Piauí

Iniciado no Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano, projeto agora acontece no campus da capital
UFPI investiga segurança de plantas medicinais no Piauí.
UFPI investiga segurança de plantas medicinais no Piauí. (Foto: Divulgação / UFPI)

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) realiza um projeto inovador para investigar a segurança de plantas medicinais utilizadas pela população do estado. Sob a coordenação da professora doutora Elisângela Cláudia Alves de Oliveira, o estudo intitulado “Avaliação do Potencial Citotóxico e Genotóxico de Plantas e Extratos com Potencialidades Terapêuticas Utilizados no Estado do Piauí” ocorre no Laboratório de Genotoxicidade de Produtos Naturais (LabGetox).

Iniciado no Campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano, o projeto agora acontece no Campus Ministro Petrônio Portella, em Teresina, no Núcleo de Pesquisas em Plantas Medicinais do Centro de Ciências da Saúde (NPPM/CCS). A pesquisa conta com colaboração de diversas instituições estaduais, incluindo o Laboratório de Química de Produtos Naturais (LPQN/CAFS) e o Laboratório de Produtos Naturais (LPN/CCN), fortalecendo a ciência regional e promovendo cooperação entre instituições de ensino superior em todo o Brasil.

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A iniciativa surgiu para atender a uma necessidade estratégica: o uso crescente de plantas medicinais no Nordeste, ainda baseado principalmente em conhecimento tradicional e carecendo de avaliação científica quanto à segurança. A professora Elisângela destaca: “Nosso projeto nasce justamente dessa necessidade de validar cientificamente o uso das plantas medicinais que fazem parte do cotidiano da população”.

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Para avaliar possíveis riscos, são empregadas metodologias clássicas da Genética Toxicológica tanto in vitro quanto in vivo, utilizando testes como o bioensaio com Artemia salina, o teste Allium cepa, o teste do micronúcleo e o ensaio cometa. Estes métodos identificam mortalidade celular, alterações no ciclo celular, quebras no DNA e instabilidade cromossômica, ampliando o entendimento sobre os mecanismos de ação dos extratos vegetais.

Diversas espécies comuns no Piauí já foram avaliadas, como a Mimosa pteridifolia (jurema-branca), Mimosa verrucosa (jurema-de-espinho) e Mimosa caesalpinifolia (sabiá), conhecidas por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes. Outras espécies, como Rosmarinus officinalis (alecrim) e Zanthoxylum rhoifolium (laranjeira-brava), também foram analisadas. 

“Nosso papel é investigar, de forma rigorosa, se os compostos bioativos presentes nesses extratos podem provocar efeitos citotóxicos, genotóxicos ou mutagênicos. Isso nos permite indicar concentrações seguras e alertar sobre possíveis riscos”, explica a coordenadora.

Os resultados do projeto já geraram dados inéditos, além de apresentações em eventos científicos e publicações na área de mutagênese e genotoxicidade, consolidando a UFPI como protagonista na pesquisa sobre a segurança de produtos naturais.

O projeto também tem um forte caráter formativo, envolvendo estudantes de graduação dos campi de Floriano e Teresina em projetos de Iniciação Científica e Trabalhos de Conclusão de Curso. Alunos do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia da UFPI também integram a equipe. 

“O LabGetox tem se consolidado como um espaço estratégico de formação acadêmica. Ao integrar pesquisa básica, aplicação tecnológica e formação de estudantes, contribuímos não apenas para o avanço científico, mas também para o desenvolvimento social do Piauí”, enfatiza a professora Elisângela.

O Laboratório de Genotoxicidade de Produtos Naturais (LabGetox) da UFPI convida estudantes interessados em pesquisa científica a se unirem ao projeto, contribuindo para a validação segura da biodiversidade regional e o desenvolvimento do Piauí.

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