Supervisora é agredida por motorista que tentou furar bloqueio e atropelar garis
O homem deu tapa no rosto da trabalhadora e também insultou ela e outras quatro garis.
Na última quinta-feira (6), uma supervisora de limpeza foi agredida por um motorista que tentou atravessar um bloqueio montado para a coleta de lixo na Rua 13 de Maio, no centro de Teresina. O homem, além de desferir um tapa no rosto da trabalhadora, insultou ela e outras quatro garis que atuavam na limpeza da via. O motorista ainda chegou a empurrar o carro na direção das funcionárias.
A Polícia Militar foi acionada por pessoas que presenciaram o ocorrido, e o agressor foi detido e encaminhado à Central de Flagrantes. No entanto, ele foi liberado pouco tempo depois.
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Com o auxílio de uma advogada, as profissionais da limpeza registraram uma denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do Centro, na sexta-feira (7). A delegacia vai apurar se houve elementos de violência de gênero no caso.
A supervisora agredida, Ericka Daiane, relatou que sua equipe, contratada por uma empresa a serviço da Prefeitura de Teresina, foi enviada ao local para remover uma grande quantidade de lixo. Por questões de segurança, cones de sinalização foram colocados para bloquear temporariamente o trânsito.
“Já tínhamos limpado metade da rua, com o caminhão no local. Esse homem apareceu querendo passar, mesmo com a via interditada. Tentei explicar que ele não poderia seguir, mas ele insistiu, empurrando o carro e colocando em risco as meninas”, contou Ericka ao g1.
De acordo com a supervisora, o motorista destruiu os cones e, ainda dentro do carro, agrediu-a com um tapa no rosto, além de proferir xingamentos ofensivos. Ela desmaiou após o ataque e foi socorrida pelas colegas. Durante o tumulto, seu celular caiu no chão e quebrou.
O agressor foi conduzido pela PM até a Central de Flagrantes, onde o delegado de plantão registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), classificando o caso como "vias de fato", que se refere a agressões sem lesões aparentes. A defesa das trabalhadoras, no entanto, discorda da tipificação do caso. “Entendemos que houve lesão corporal e injúria, não apenas vias de fato. Trouxemos as vítimas à Deam para que o caso seja tratado com maior rigor”, explicou a advogada Sarah Vaz.
As vítimas foram ouvidas pelo secretário municipal de Segurança Pública, coronel Wagner Torres, e pela comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), inspetora Lucijane Ibiapina. O secretário garantiu apoio às trabalhadoras e informou que a GCM e a Polícia Militar intensificarão a fiscalização em situações semelhantes.
Abalada com o ocorrido, Ericka Daiane expressou seu desejo de que o motorista seja responsabilizado. “Me sinto vulnerável. Não consegui dormir depois disso. A gente acorda cedo, trabalha debaixo do sol, e ser chamada de ‘vagabunda’ é revoltante”, desabafou.
O coronel Wagner Torres sugeriu que o crime pode ter sido motivado pelo fato de todas as vítimas serem mulheres. “Só havia cinco mulheres ali. Talvez, se tivesse algum homem, ele não teria agido dessa forma”, comentou.
Repúdio e apoio da Prefeitura
Em nota oficial, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Centro, responsável pela limpeza pública da região, repudiou o ato de violência e destacou que o bloqueio temporário das vias é fundamental para garantir a segurança das equipes durante o trabalho.
A Prefeitura de Teresina, por meio do prefeito Silvio Mendes, também se manifestou, condenando com veemência a agressão física e verbal sofrida pelas trabalhadoras. A administração municipal assegurou que prestará apoio psicológico às vítimas e acompanhará o caso junto às forças de segurança, buscando a punição adequada para o agressor.
“A Prefeitura de Teresina expressa total solidariedade às profissionais envolvidas neste lamentável episódio e reafirma seu repúdio a qualquer forma de violência contra os servidores públicos da cidade”, concluiu a nota.
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