Projeto de Lei que inclui Esperança Garcia no Livro das Heroínas é aprovado

O PL é de autoria da deputada federal Margarete Coelho.
Esperança Garcia foi uma escrava e foi reconhecida como primeira advogada do Piauí.
Esperança Garcia foi uma escrava e foi reconhecida como primeira advogada do Piauí. (Foto: Reprodução Internet)

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3772/2019, que pede a inserção do nome de Esperança Garcia no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O PL é de autoria da deputada federal Margarete Coelho.

O relatório que manifestou parecer favorável à proposta é da deputada Benedita da Silva, que comentou o assunto. O PL agora será encaminhado para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

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“Emitimos parecer favorável à presente proposição, ao tempo em que parabenizamos a deputada Margarete Coelho por ter trazido ao conhecimento do Parlamento a história de vida de Esperança Garcia, na sua luta e resistência à escravidão e pelo resgate da dignidade humana”, destacou Benedita da Silva.

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Esperança Garcia foi uma escrava que viveu no Piauí, na região de Oeiras, na Fazenda dos Algodões. Ela foi reconhecida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) como a primeira advogada piauiense. Não se sabe muito sobre a vida de Esperança, mas ela é conhecida por sua coragem. Em 1770, ela escreveu uma carta para Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, governador do estado na época. O documento, datado de 6 de setembro de 1770, denuncia os maus tratos sofridos por ela, por seus filhos e demais escravos.

Margarete Coelho destacou que, ao longo dos quase quatro séculos de escravidão, as relações humanas, sociais, políticas, econômicas e culturais do país foram impactadas.

“Essa situação foi uma das mais nefastas características da formação histórica brasileira. Os ecos desse passado de inaceitável injustiça repercutem, ainda hoje, na sociedade”, declarou Margarete Coelho.

Alguns nomes importantes já se encontram no Panteão da Pátria, entre eles estão Zumbi dos Palmares , Dandara, Francisco José do Nascimento – o “Dragão do Mar”, Luiz Gama e Luíza Mahin.

Carta

Confira o conteúdo da carta escrito por Esperança Garcia e uma imagem do documento, escrito a mão.

Carta traduzida:

“Eu sou uma escrava de V.S.a administração de Capitão Antonio Vieira de Couto, casada. Desde que o Capitão lá foi administrar, que me tirou da Fazenda dos Algodões , aonde vivia com meu marido, para ser cozinheira de sua casa, onde nela passo tão mal. A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho nem, sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca; em mim não poço explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que caí uma vez do sobrado abaixo, peada, por misericórdia de Deus escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar a três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar. Pelo que peço a V.S. pelo amor de Deus e do seu valimento, ponha aos olhos em mim, ordenando ao Procurador que mande para a fazenda aonde ele me tirou para eu viver com meu marido e batizar minha filha.

De V.Sa. sua escrava, Esperança Garcia”

Foto: DivulgaçãoCarta escrita por Esperança Garcia e enviada para o governador do Piauí.
Carta escrita por Esperança Garcia e enviada para o governador do Piauí.

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