Mercado ilegal de autopeças causa prejuízo bilionário ao Brasil
Mercado clandestino de peças de moto cresce em São Paulo e expõe riscos à segurança e à economia

O setor de autopeças no Brasil perdeu cerca de R$ 12 bilhões no ano passado por causa de falsificações e contrabando. Além do prejuízo econômico, o comércio clandestino coloca em risco a segurança dos motoristas e alimenta uma cadeia criminosa que começa muitas vezes com roubos e furtos violentos.
No Estado de São Paulo, dados do Portal da Transparência da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre janeiro e abril deste ano, foram registrados mais de 18 mil casos de roubos e furtos de motocicletas — um aumento de 3% em relação ao mesmo período de 2024. Muitas dessas motos são desmontadas e têm as peças repassadas para o mercado paralelo.
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Comércio clandestino exposto
No centro da capital paulista, uma área conhecida como “quadrilátero das motos” concentra lojas suspeitas de vender peças sem procedência. Com uma câmera escondida, a reportagem percorreu algumas dessas lojas e constatou a facilidade para encontrar itens sem qualquer tipo de registro.
Em diversos estabelecimentos, ao ser questionado sobre o selo do Detran — que certifica a origem regular do produto — o vendedor desviou do assunto. Em outros casos, as peças sequer tinham identificação.
O diretor de gestão regulatória do Detran-SP, Eric Wetter, alerta que o selo e o QR Code presentes nas autopeças são fundamentais para atestar a legalidade. “Muitas dessas peças vêm manchadas de sangue, porque estão ligadas a crimes graves. É essencial checar o QR Code e o CNPJ da loja no site do Detran”, reforça.
Operações e apreensões
Recentemente, uma operação conjunta entre a Polícia Civil e o Detran localizou quase 100 mil peças de motos sem origem comprovada em comércios do centro de São Paulo. Durante a ação, foram encontrados veículos com registros de roubo e furto, além de móveis adaptados com fundos falsos para esconder mercadorias ilícitas. Os produtos apreendidos somaram um valor estimado de R$ 5 milhões. Dois homens foram presos por receptação e associação criminosa.
Em outro ponto da cidade, a Polícia Militar descobriu um desmanche clandestino em funcionamento dentro de um prédio. O local servia para adulterar numeração de chassis e motores antes da revenda ilegal. Um suspeito foi preso em flagrante.
Vítimas diretas e indiretas
Além do rombo aos cofres públicos e das perdas ao setor formal, o mercado clandestino de autopeças alimenta a violência. “É um mercado muitas vezes manchado pelo sangue das vítimas”, destacou Wetter.
Flávio Gomes da Silva, motoboy, sentiu isso na pele. Mesmo com a moto guardada em casa, teve o veículo furtado. Ficou quase uma semana sem trabalhar. “Quando minha esposa chegou da caminhada, encontrou o cadeado do portão no chão. Só conseguimos achar a moto dois dias depois”, conta.
Após o susto, Flávio reforçou a segurança. “Agora tem três travas, alarme, rastreador e mais um cadeado no portão. Ninguém leva mais não”.
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