Estudo aponta que contrabando de cigarros no Piauí ultrapassa 70%

Mercado ilegal do produto movimentou expressivos R$ 135 milhões em 2024.
Pesquisa revela que quase metade do cigarro ilegal entrou no Brasil pelo Paraná.
Pesquisa revela que quase metade do cigarro ilegal entrou no Brasil pelo Paraná. (Foto: Gerado por IA)

O contrabando de cigarros no Piauí em 2024 gerou consequências significativas, revelando um mercado ilegal que movimentou expressivos R$ 135 milhões. Segundo pesquisa do Ipec encomendada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), quase 70% dos cigarros vendidos no estado eram provenientes de atividades ilegais.

Esse índice, bastante superior à média nacional de 32% e à regional do Nordeste, de 43%, resultou em uma sonegação de aproximadamente R$ 47 milhões em Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS) no Piauí. 

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Ao G1, o presidente do FNCP, Edson Vismona, destaca que a alta carga tributária sobre os produtos legais, somada à atuação de facções criminosas, contribuem significativamente para o crescimento do mercado ilegal.

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Edson Vismona ressalta que a competição desleal é impulsionada pelos altos impostos incidentes sobre os cigarros legais, que ultrapassam os 70%. Em contrapartida, os produtos ilícitos, que não pagam tributos, acabam sendo comercializados a preços mais baixos, estimulando a procura por cigarros mais baratos e, consequentemente, ampliando o mercado ilegal.

“O ilegal tem a grande vantagem competitiva de chegar às mãos do consumidor por um preço bem mais baixo. Isso incentiva a demanda por cigarros mais baratos e aumenta o mercado ilícito no Brasil”, explicou o presidente do FNCP.

Além das questões financeiras, os cigarros contrabandeados não seguem as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentando níveis de alcatrão, nicotina e a presença de agrotóxicos proibidos.

Impacto nas Facções Criminosas

O estudo aponta que mais de 541 milhões de cigarros ilegais ingressaram no Piauí, impulsionando atividades ilegais de armazenamento, transporte e distribuição desses produtos. Para Edson Vismona, o contrabando de cigarros tornou-se um pilar financeiro para facções criminosas locais, sendo uma atividade de alta demanda e baixo risco em comparação a outros crimes.

Ele ressalta que o contrabando desses produtos, anteriormente considerado de baixo potencial ofensivo, possui uma estrutura cada vez mais integrada, contando até mesmo com fábricas clandestinas que imitam marcas paraguaias. A rota do contrabando desafia as fronteiras, passando por Paraguai, Bolívia, Chile, Canal do Panamá e, finalmente, Brasil, desencadeando um desafio que envolve o tráfico de drogas e armas.

“Com ações isoladas, [o combate ao contrabando] perde. É preciso coordená-las, identificando rotas e depósitos, com um trabalho significativo e integrado de inteligência”, destaca Edson Vismona.

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