Estudante denuncia caso de racismo no Restaurante Universitário da UFPI
Até o momento, a UFPI não identificou o suspeito.

Ana Vitória Leite, estudante prestes a concluir a graduação em História na Universidade Federal do Piauí (UFPI), denunciou nas redes sociais e à instituição ter sido vítima de racismo dentro do Restaurante Universitário (RU) do campus de Teresina. O caso ocorreu na última terça-feira (28).
Até o momento, a UFPI não identificou o suspeito. Em um vídeo gravado por Ana Vitória, ela descreve a situação:
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"Eu estava almoçando quando um homem branco se aproximou e perguntou de qual tribo eu fazia parte, além de questionar se usava piercing no rosto por identidade cultural. Em seguida, ele começou a falar sobre postura e aparência, fazendo comentários que reconheço como racistas", relatou.
A estudante conseguiu registrar parte da conversa, mas optou por não divulgar as imagens. Segundo ela, durante o episódio, o agressor insinuou que ela não pertencia ao ambiente acadêmico e que sua presença ali era inadequada. "Ele tentou me dar uma lição de moral, dizendo que eu estava na universidade apenas para brincar", afirmou em entrevista ao g1.
Racismo é crime
A legislação brasileira trata o racismo como crime, configurando-se quando há discriminação contra um grupo ou coletividade com base na raça ou cor. Já a injúria racial ocorre quando ofensas são direcionadas a um indivíduo por sua raça, cor ou etnia. Com a Lei nº 14.532, sancionada em 11 de janeiro de 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao racismo, tornando-se um crime inafiançável e imprescritível.
Superação e reconhecimento acadêmico
No dia seguinte ao ocorrido, quarta-feira (29), Ana Vitória apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e recebeu a nota máxima. Seu estudo, intitulado Reforma e resistências: a trajetória do trabalho doméstico no Brasil a partir da PEC das Domésticas (2010 - 2015), aborda questões raciais e sociais no contexto do trabalho doméstico.
"O tema do meu TCC tem uma conexão direta com o que vivi. O trabalho doméstico no Brasil é majoritariamente realizado por mulheres negras, que historicamente foram reduzidas a esse papel de servidão", pontuou.
Ela também mencionou a escritora e ativista bell hooks, destacando como a intelectualidade das mulheres negras, mesmo em posições de prestígio, ainda enfrenta tentativas de desvalorização.
Posicionamento da UFPI
Em nota oficial, a UFPI repudiou qualquer ato de racismo e reafirmou seu compromisso com um ambiente acadêmico seguro e inclusivo. A universidade declarou que tomará todas as medidas necessárias para investigar o caso, prestar apoio à vítima e responsabilizar o agressor.
"A UFPI é um espaço que valoriza a diversidade e a equidade. Estamos comprometidos em garantir que todos se sintam bem-vindos e respeitados em nossos campi. Seguiremos promovendo ações de sensibilização e combate ao racismo e à discriminação", destacou a instituição no comunicado.
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