Enfermeira conta como realizou sonho de se tornar mãe através da adoção

Maria e o esposo esperaram por cinco anos até o dia em que Otávio chegou na família.

Faltam poucos dias para o Dia das Mães, e essa data pode ser um misto de emoções para muitas mulheres. Alegria, angústia, frustração, a realização de um sonho ou a espera por realizá-lo. Uma data com muitos significados diferentes, para mulheres diferentes. Entre os temas que envolvem essa data, a adoção sempre é lembrada como uma forma especial de nascer uma nova mãe.

A adoção é um caminho que une histórias por meio do afeto, da responsabilidade e do desejo de construir uma nova família. Mais do que um processo legal, ela representa uma escolha consciente de acolher uma criança ou adolescente, oferecendo a chance de um recomeço. No Brasil, embora milhares de menores aguardem por um lar, o número de adoções ainda é baixo, reflexo de desafios burocráticos, preconceitos e expectativas idealizadas.

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Além disso, a adoção é um caminho para muitas mulheres que buscam realizar o sonho de ser mãe. Entre as pessoas que realizaram o desejo de viver a maternidade através da adoção está a enfermeira Maria Ferreira, de 54 anos. Ela é mãe do pequeno Otávio, de quatro anos, que chegou para completar a família após cinco anos de espera.

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Foto: Arquivo pessoalOtávio chegou na família com apenas três dias de vida.
Otávio chegou na família com apenas três dias de vida.

Maria e o esposo Marcone moram em São Paulo e tentaram engravidar durante muito tempo, inclusive tentando inseminação. Ao perceberem que o sonho de serem pais estava ficando distante, o casal decidiu realizar outro sonho da enfermeira, mais antigo que o próprio relacionamento deles: adotar uma criança.

O casal então procurou o Fórum da cidade e realizou os procedimentos burocráticos necessários. Após cinco anos na fila de espera da adoção, o pequeno Otávio chegou aos braços de Maria, com apenas três dias de vida. De lá pra cá, a vida do casal mudou completamente.

“Já estávamos há cinco anos na fila quando o telefone tocou, nem acreditamos que nossa vez tinha chegado. Fomos conhecer nosso filho na maternidade quando ele estava com três dias de vida. Foi maravilhoso olhar aquele rostinho, tão lindo, tão frágil. Meu esposo fala que ele riu pra mim quando me viu. Foi uma emoção indescritível, pois era tudo o que nós queríamos.”

Não foi apenas Maria e seu marido que ficavam felizes com a chegada de Otávio. A enfermeira conta que o apoio dos familiares e amigos foi maravilhoso. Mesmo pessoas que não a conheciam, fizeram questão de ajudá-la.

“Não faltou nada para o meu filho, nem material e, o principal, amor. Ele foi adotado por todos. Depois da nossa adoção, inclusive, teve amigos que procuraram o Fórum e hoje estão na fila para a adoção, e isso é maravilhoso.”

Após a adoção de Otávio, a família ainda foi acompanhada por uma psicóloga, que auxiliou o casal na adaptação e nas muitas mudanças que aconteceram com a chegada do bebê.

Maria conta que, após a chegada de Otávio, as pessoas próximas relataram que ela mudou e se tornou uma pessoa melhor. Segundo a enfermeira, com a chegada do filho ela aprendeu que, na realidade, todos nós somos adotados pelos nossos pais, sejam eles biológicos ou adotivos.

Ela destaca que a adoção não é uma caridade feita para a criança, pois é o casal que deseja ter um filho. Ao contrário de gestações indesejadas ou que aconteceram por “acidente”, os pais adotivos são pais por escolha própria. Maria ainda alerta para que as pessoas que desejam adotar façam isso da forma correta e segura, através do Fórum, seguindo todos os procedimentos legais, mesmo que isso signifique ficar por um tempo na fila de espera.

Foto: Arquivo PessoalOtávio com a mãe Maria e o pai Marcone.
Otávio com a mãe Maria e o pai Marcone.

Maria ainda revela que, mesmo já tendo Otávio, ela ainda gostaria de adotar mais uma criança, com idade entre 8 e 10 anos. Ela conta que o desejo é fruto de aprendizado, pois ela entendeu que a idade é apenas um mero detalhe, que infelizmente vem carregado de preconceito.

Questionada sobre o conselho que ela daria para quem quer adotar uma criança, ela é direta:

“Adotem! Não tenham medo do que os outros vão achar ou falar. O que importa mesmo é a vontade do casal. Deixem o preconceito de lado e adotem.”

Foto: Arquivo PessoalMaria realizou o sonho de se tornar mãe através da adoção.
Maria realizou o sonho de se tornar mãe através da adoção.

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