Doação de órgãos de Gugu beneficiará 50 pacientes
Família queria que pacientes brasileiros recebessem órgãos, mas distância impossibilita o translado.

Neste domingo (24), o corpo de Gugu Liberato passou por uma cirurgia de mais de seis horas para fazer a retirada dos órgãos, que serão doados. De acordo com a família, as doações devem beneficiar 50 pessoas.
Familiares do apresentador desejavam que alguns dos órgãos fossem doados para pacientes brasileiros. Porém, devido ao tempo de translado entre os dois países, não será possível atender ao pedido, pois o tempo de conservação dos órgãos é de apenas algumas horas.
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Após o procedimento, o corpo do apresentador foi encaminhado para um instituto semelhante ao IML (Instituto Médico Legal) no Brasil, que é responsável por necropsias e laudos de Orlando (EUA).
Agora, os familiares estão preparando a documentação necessária para trazer o corpo de Gugu para o Brasil. Eles acreditam que a repatriação do corpo deve acontecer na próxima quarta (27) ou quinta-feira (28). O apresentador será velado na Assembleia Legislativa de São Paulo e enterrado no cemitério Getsêmani, no Morumbi.
No fim da tarde de domingo, a família emitiu um comunicado sobre a doação dos órgãos. Leia abaixo na íntegra:
Doação de órgãos
A cirurgia para retirada dos órgãos foi realizada esta noite e madrugada (sábado para domingo) e durou mais de seis horas. A instituição Our Legacy cuidou de todos os tramites referentes a retirada, conservação e intermediação com os pacientes necessitados.
É importante reforçar que todos os órgãos são única e exclusivamente doados.
Antes do início da cirurgia de retirada dos órgãos, os médicos e toda a equipe do hospital fizeram uma Menção de honra dizendo:
“Momento de honra,
Neste momento e a partir deste momento, honramos Antonio Augusto Moraes Liberato e essa oportunidade de salvar e melhorar a vida de outras pessoas. Ao cuidarmos dele agora, também somos responsáveis por cuidar desse gracioso presente da vida. Estendemos nosso respeito e gratidão à família e os mantemos em nossos pensamentos.
Ao tocarmos a vida de muitos hoje, podemos entender nosso papel em transmitir o presente heroico da vida de um ser humano para outro.
Que tenhamos um momento de silêncio agora para lembrar Gugu Liberato e todos os que se juntam à sua história do passado, presente e todos os dias à frente.”

Os familiares ainda divulgaram um texto na primeira pessoa, como se fosse uma mensagem de Gugu.
“Deus em sua infinita bondade nos dá a oportunidade da vida. Vivi minha jornada na Terra seguindo os ensinamentos que recebi de meus pais, Augusto e Maria do Céu. Com eles aprendi a importância de olhar para o próximo com amor e fraternidade.
Agora eu sigo adiante por um caminho que me levará mais próximo ao Pai. E neste momento quero praticar os ensinamentos do mestre Jesus. Assim como ele compartilhou o pão com os seus, eu compartilho meu corpo com aqueles que necessitam de uma nova oportunidade de viver.
Aos meus familiares eu agradeço por terem realizado a minha vontade.Tenham certeza que, a partir de agora, eu estarei batendo em muitos outros corações e compartilhando minha vida com outros irmãos.
Que eu seja um instrumento de amor, oportunidade e de luz.
Gugu”
A morte de Gugu foi divulgada na última sexta-feira (22). Ele sofreu uma queda de aproximadamente quatro metros e bateu a cabeça em um móvel.
Segundo o neurocirurgião Guilherme Lepsky, que acompanhou o apresentador enquanto estava no hospital, Gugu chegou com vida ao hospital. Porém, a atividade cerebral era baixa, tendo chegado à unidade de saúde apresentando nível 3 em uma escala que vai até 15.
"Precisa ter um tempo de observação mínimo, que não pode ser menor do que seis horas. Isto que foi feito. Ele tinha alguma atividade respiratória no início. Não era de início morte encefálica. Ele tinha de início alguma atividade na prova de apneia, a prova que se faz."
"Acontece que o quadro foi se deteriorando rapidamente, e aí as provas subsequentes comprovaram isso. São feitas pelo menos duas provas, há um intervalo. Aqui nos EUA, este intervalo este intervalo não é limitado, pode ser feito 15 minutos depois, 20 minutos depois", acrescenta Lipsky.
O médico ainda explicou que ele sofreu uma grave fratura no osso temporal direito, o que causou uma hemorragia traumática, espalhando sangue ao redor do cérebro. Guilherme Lepsky também informou o motivo para não ter havido intervenção cirúrgica.
"É uma situação extremamente grave, então, a maioria dos protocolos de atendimento de trauma internacionais dizem: não investir. Porque se você investe e faz medidas, vamos dizer, 'heroicas' você acaba acarretando um sofrimento muito grande para o paciente. A chance de morrer é alta e, se não morre, há uma chance muito grande de entrar em estado vegetativo persistente."
Para confirmar a falta de fluxo de sangue para o cérebro, os médicos ainda realizaram uma angiografia em Gugu.
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